O Digital Versatile Disc DVD de 1996

Em 01 de novembro de 1996, após uma disputa inicial entre duas propostas de formato, o padrão universal Digital Versatile Disc DVD era comercialmente lançado.
Na primeira metade da década de 1990, a indústria do entretenimento doméstico vivia um momento de transição tecnológica, dependendo eminentemente do formato de vídeo analógico VHS, que já apresentava sérias limitações técnicas após duas décadas no mercado.
Estas fitas magnéticas, que além de sofrerem com o desgaste físico progressivo a cada reprodução e dependerem de mecanismos de gravação e reprodução complexos e muito sujeitos a falhas, ofereciam baixa resolução de imagem e exigiam o incômodo processo mecânico de “rebobinar” a fita ao final de cada uso.
Ao mesmo tempo, o mercado já conhecia a praticidade do áudio digital com o sucesso do Compact Disc (CD) lançado na década anterior, que demonstrava ser possível armazenar grandes quantidades de informação digital em mídias pequenas, resistentes e de fácil reprodução, gerando nos consumidores e nos estúdios de Hollywood o desejo imediato por uma mídia óptica equivalente, que fosse capaz de armazenar vídeo de alta qualidade com som multicanal.
Além disso, a evolução dos computadores pessoais, dos equipamentos de áudio digital e das tecnologias de compressão de dados também criava condições para desenvolver um novo padrão de armazenamento capaz de acomodar filmes com qualidade muito superior à oferecida pelos formatos domésticos existentes.

O desenvolvimento dessa nova tecnologia, que viria se tornar o famoso DVD (Digital Versatile Disc) começaria a tomar forma em 1993, quando diferentes fabricantes passariam a trabalhar em uma nova geração de discos ópticos de alta capacidade. Duas propostas concorrentes surgiriam: o Super Density Disc (SD), liderado pela Toshiba, Matsushita, Hitachi, Pioneer,Time Warner, dentre outras empresas, e o Multimedia Compact Disc (MMCD), desenvolvido pela Sony e pela Philips.
A principal motivação para a criação de um novo formato era a de oferecer espaço suficiente para armazenar filmes completos em qualidade digital, com imagem e som superiores aos do VHS, utilizando discos ópticos compactos e mais resistentes ao desgaste provocado pela reprodução.
A indústria cinematográfica também enxergava aí uma oportunidade comercial importante ao poder distribuir filmes em uma mídia de menor custo de fabricação, mais conveniente para o consumidor e que permitisse a venda de títulos, em vez de depender predominantemente do aluguel de fitas. Além do entretenimento doméstico, o novo padrão deveria também atender à indústria de computadores, oferecendo maior capacidade de armazenamento para programas, documentos e outros conteúdos digitais.
Esta “disputa” entre fabricantes, contudo, ameaçava provocar uma nova e inconveniente “guerra de formatos”, semelhante àquela que havia ocorrido entre os sistemas de videocassete Betamax e VHS no final da década de 70. A fim de evitar que consumidores e fabricantes enfrentassem novamente o problema de padrões incompatíveis, empresas do setor de informática, entre elas IBM, Apple, Compaq, Hewlett-Packard e Microsoft, pressionariam os fabricantes pela adoção de uma tecnologia única.

Essa “pressão” culminaria, em 15 de setembro de 1995, com os dois grupos anunciando, por meio de um “press release” conjunto, um acordo para unificar suas propostas, dando origem ao padrão que ficaria conhecido como DVD, concebido desde o início como uma mídia versátil, capaz de reunir aplicações de vídeo, áudio e informática em um único padrão tecnológico, combinando alta densidade de dados, possibilidade de menus interativos, múltiplos canais de áudio e novos sistemas de criptografia digital para proteger os direitos autorais.
Contudo, o lançamento comercial do formato ocorreria apenas no ano seguinte, primeiramente no Japão, em 1 de novembro de 1996, com os primeiros aparelhos reprodutores, como o Toshiba SD-3000, chegando às lojas. Os primeiros títulos “hollywoodianos” do formato chegariam em 20 de dezembro de 1996, produzidos por estúdios estadunidenses mas destinados eminentemente ao mercado japonês, visto que o padrão ainda não havia oficialmente desembarcado naquele país.
Mas embora vários títulos tenham sido preparados para essa fase inicial (relançamentos de versões anteriormente disponibilizadas em VHS), o filme que detém o título de “primeiro longa-metragem lançado comercialmente em DVD” (pelo menos no mercado dos Estados Unidos) é o blockbuster de ação e efeitos especiais “Twister” (1996). Produzido pela Warner Home Video, seu disco chegaria oficialmente às prateleiras no dia 24 de março de 1997, coincidindo com o lançamento nacional dos aparelhos de DVD nos Estados Unidos e consolidando o início da era digital nas salas de estar.
O disco de “Twister” apresentaria as características técnicas que se tornariam o padrão da indústria, incluindo o vídeo codificado no formato MPEG-2, áudio Dolby Digital 5.1 e a possibilidade de escolha entre o formato de tela “Widescreen” (aspecto original de cinema) ou “Pan and Scan” (ajustado para as televisões quadradas da época). Além disso, trazia menus interativos e legendas em múltiplos idiomas, recursos impossíveis de implementar no antigo VHS.

Sucesso imediato, o DVD inauguraria uma nova era na experiência de entretenimento doméstico, onde, pela primeira vez os consumidores podiam contar com imagem digital mais nítida, som multicanal de qualidade superior, navegação em capítulos, legendas e conteúdos adicionais, todos organizados em um disco compacto, resistente e de fácil manuseio. Com a virada do milênio, o DVD rapidamente substituiria o VHS como o formato preferido para filmes em casa, dominando locadoras e videotecas domésticas em todo o mundo.
Ao longo dos anos 2000, o DVD também se tornaria um componente essencial da computação pessoal, através das unidades de DVD-ROM que substituíram os antigos leitores de CD. O formato permitiria que jogos de computador e softwares complexos, que antes exigiam dezenas de disquetes ou vários CDs, fossem distribuídos em um único disco de 4,7 GB (camada simples) ou 8,5 GB (camada dupla – DVD-DL).
Contudo, apesar de sua enorme popularidade ao longo dos anos 2000, o DVD acabaria sendo gradualmente superado por novos formatos digitais, como o Blu-ray (oferecendo ainda mais capacidade e qualidade de imagem) e, principalmente, pelos serviços de streaming de vídeo pela internet. Esses serviços, como o Netflix, surgidos no final dos anos 2000 e que “explodiriam” na década de 2010, permitiriam que filmes e séries fossem acessados instantaneamente sem mídia física, começando a reduzir a relevância do DVD como meio principal de distribuição de filmes.
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Mais em:
- O padrão MPEG de vídeo de 1992
- O padrão de vídeo VHS de 1976
- O primeiro CD comercial da história de 1982
- O Microsoft CD-ROM Extensions MSCDEX de 1986
- O disco ótico High Density Digital Versatile Disc HD DVD de 2006
- A Blockbuster de 1985
- A empresa TDK Corporation de 1935
- O Extended Copy Protection XCP de 2005
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