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Em 16 de janeiro de 1986, a Internet Engineering Task Force (IETF) realizava sua primeira reunião, fazendo nascer uma das instituições de padronização de protocolos de comunicação de dados mais importantes do mundo.

A Internet que utilizamos hoje, praticamente em todos os aspectos de nossas vidas, não surgiu por acaso, mas sim por meio de um esforço de décadas de pesquisa e padronização técnica.

No coração desse processo está a Internet Engineering Task Force, mais conhecida pela sigla IETF, concebida com o objetivo de desenvolver e promover padrões abertos que garantissem o funcionamento, a interoperabilidade e a evolução da “grande rede”.

Sua criação está intimamente ligada à história da ARPANET, a rede experimental, financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos a partir do fim dos anos 60, que conectava diversas instituições acadêmicas e governamentais e que posteriormente daria origem à internet moderna.

Naquele momento, a ARPANET tinha como grande desafio o de garantir que todos os variados sistemas, desenvolvidos por diferentes instituições, pudessem comunicar-se entre si de maneira uniforme. O desenvolvimento de protocolos de comunicação, como o TCP/IP, mostraria a necessidade da existência de um grupo que pudesse coordenar a padronização técnica das novas tecnologias de rede.

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A evolução da ARPANET em seus primeiros anos de existência

Isso motivaria a Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) a organizar e patrocinar encontros de um grupo de técnicos, inicialmente sob o comando do grupo denominado Gateway Algorithms and Data Structures (GADS), que posteriormente se dividiria dando origem ao que viria a ser a IETF, cujo objetivo inicial era criar um fórum para discutir problemas técnicos e de engenharia de curto prazo, especialmente assegurando a interoperabilidade.

O primeiro encontro oficial do grupo ocorreria no dia de hoje, no campus da Universidade de Stanford, na Califórnia, com apenas 21 participantes, consultores e acadêmicos financiados por agências governamentais que trabalhavam na evolução da ARPANET, data que ficaria registrada como a da fundação da entidade.

Nessa fase inicial, o IETF funcionava como um comitê de trabalho vinculado ao governo norte-americano, com suas decisões estando voltadas principalmente às necessidades das redes militares e acadêmicas. No entanto, na medida em que a Internet se expandiu e passou a interessar à iniciativa privada, o grupo cresceria, agregando também representantes de empresas ligadas ao setor.

Nos anos seguintes, a IETF cresceria rapidamente, com o grupo começando a organizar encontros presenciais regulares, conhecidos como “IETF Meetings”, que passariam a ocorrer três vezes por ano em diferentes países, reunindo inicialmente centenas e depois milhares de engenheiros, acadêmicos e representantes de empresas de tecnologia.

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Relatório da primeira reunião, em 1986

Entretanto, a maior parte do trabalho cotidiano acontece paralelamente em listas de discussão e plataformas online, o que permite que a colaboração seja contínua e verdadeiramente global.

Nestes fóruns são discutidas propostas de novos protocolos e padrões de comunicação, que mais tarde serão formalizados em documentos publicados livremente chamados RFCs, sigla para Request for Comments, formato oficial do IETF para registrar normas, padrões, recomendações e boas práticas para o funcionamento da Internet.

Muitos dos principais protocolos utilizados até hoje foram formalizados e mantidos sob a supervisão do IETF. Entre as RFCs mais famosas estão a RFC 791 (protocolo IP, usado no encaminhamento de dados), a RFC 1035 (protocolo DNS, que traduz nomes de sites em endereços numéricos), a RFC 2616 (protocolo HTTP, usado no acesso web), RFC 5246 (TLS, que garante segurança nas conexões) e a RFC 5321 (protocolo SMTP, usado no envio de e-mails). Embora as RFCs precedam ao IETF, ele se tonaria, ao longo dos anos, o seu principal mantenedor.

Com o passar do tempo, a IETF se consolidaria como a principal autoridade técnica na definição dos padrões que sustentam a Internet, com uma estrutura organizacional descentralizada, composta por grupos de trabalho reunidos em áreas temáticas, como segurança, transporte de dados, roteamento, aplicações e operações de rede.

Um dos aspectos mais notáveis da cultura do IETF é sua estrutura aberta e colaborativa, que faria com que se diferenciasse de outras organizações de padrões. Qualquer pessoa pode participar das discussões, enviar propostas e contribuir para os documentos em desenvolvimento, independentemente de filiação institucional.

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Os encontros presenciais passariam, dos 21 membros originais, a contar com milhares de participantes

Cada grupo trabalha de forma que as decisões sejam tomadas por consenso técnico, não por uma votação formal, o que reflete a filosofia descentralizada da própria Internet. O lema extraoficial do grupo, muitas vezes citado em conferências, resume bem essa mentalidade: “We reject kings, presidents and voting. We believe in rough consensus and running code” (“Rejeitamos reis, presidentes e votações. Acreditamos em consenso aproximado e código em execução”).

Isso significa que, para uma nova regra ou tecnologia ser aceita, ela não precisa de uma aprovação burocrática ou de uma mera “unanimidade”, devendo ser testada na prática, comprovando seu funcionamento em sistemas reais, e que a maioria dos especialistas envolvidos concorde com sua eficácia técnica, viabilizando sua adoção global.

Ainda em seu primeiro ano de vida, o IETF perceberia que a internet cresceria para além dos muros governamentais e acadêmicos, tomando a estratégica decisão, já em sua quarta reunião em outubro de 1986, de abrir suas portas para a participação de empresas privadas.

Essa abertura seria decisiva, pois possibilitou que fabricantes de hardware e desenvolvedores de software comercial passassem a colaborar no desenvolvimento dos padrões, permitindo, com essa sinergia entre governo e iniciativa privada, a explosão da internet nos anos seguintes.

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Estrutura da ISOC

Posteriormente, a IETF deixaria de ser um órgão governamental, passando a fazer parte de uma estrutura maior chamada Internet Society (ISOC), organização sem fins lucrativos fundada em 1992 para promover o desenvolvimento livre, aberto e “global” (será?) da Internet, e que fornece suporte institucional e financeiro às atividades do grupo. A ISOC também supervisiona outras organizações irmãs, como o Internet Architecture Board (IAB), responsável pela visão técnica de longo prazo da internet, e o Internet Assigned Numbers Authority (IANA), que administra endereços IP e nomes de domínio em nível global.

Atualmente, a IETF continua em plena atividade, mantendo sua posição como uma das organizações de padronização mais influentes da atualidade. Sua importância ultrapassa o campo meramente técnico, com decisões afetam diretamente a maneira como bilhões de pessoas acessam e utilizam a internet todos os dias, garantindo que a grande rede permaneça um espaço livre, interoperável e em constante evolução.


E você, já colaborou com algum dos padrões produzidos pela IETF?

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Vídeo(s):

*legendas disponíveis nos controles do Youtube, na opção “⚙ >> Legendas/CC >> Traduzir automaticamente”.

Workshop “Internet Engineering Task Force do nic.br (2017)
IETF e padrões da Internet
Mais em:



*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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