A National Science Foundation Network NSFNET de 1986

Em julho de 1986, a National Science Foundation Network NSFNET, uma das redes de computadores mais importantes da história da Internet, entrava em operação nos EUA.
Criada pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (National Science Foundation – NSF), a National Science Foundation Network (ou simplesmente NSFNET) surgiria em um período em que as redes acadêmicas e de pesquisa cresciam rapidamente e precisavam de uma infraestrutura mais ampla para compartilhar recursos computacionais.

Em meados da década de 1980, os Estados Unidos mantinham cinco grandes centros nacionais de supercomputação, localizados nas universidades de Cornell, Illinois, Princeton, Pittsburgh e na Universidade da Califórnia em San Diego. Mas embora esses sistemas oferecessem enorme capacidade de processamento, muitos pesquisadores não eram capazes de utilizá-los devido à falta de conexões de rede adequadas com as diversas instituições de ensino norte-americanas.
A fim de resolver esse problema, a NSF decidiria criar uma nova rede nacional de dados, de forma a permitir que universidades e centros de pesquisa tivessem acesso aos poderosos supercomputadores financiados pela NSF.

Nascia assim, em julho de 1986, a NSFNET, que em sua primeira fase entraria em operação tendo por “espinha dorsal” (backbone) conexões de 56kbit/s de velocidade, que embora pareça extremamente modesta para os padrões atuais, era suficiente para permitir o intercâmbio de dados científicos, programas e mensagens eletrônicas entre as instituições acadêmicas espalhadas pelos Estados Unidos.
Usando minicomputadores PDP-11 da Digital Equipment Corporation atuando como roteadores (chamados de “Fuzzballs”), a rede foi projetada para utilizar o conjunto de protocolos de comunicação TCP/IP, os mesmos que haviam sido adotados pela ARPANET alguns anos antes.

O rápido crescimento do número de instituições conectadas faria com que a capacidade do backbone original logo se mostrasse insuficiente, tornando necessário que a NSF assinasse um acordo de modernização da rede com as empresas Merit Network, IBM e a MCI Communications, resultando, em julho de 1988, em um novo backbone com velocidade de 1,544 Mbit/s (linhas T1 de telecomunicações).
Nesta atualização, caberia à IBM fornecer os novos equipamentos roteadores a serem empregados, baseados agora em sistemas de computadores modelo IBM RT PC, executando o sistema operacional Academic Operating System (AOS) e um software de roteamento customizado, o que garantiria a capacidade de transmissão de pacotes necessária.
A expansão continuaria nos anos seguintes, com a NSFNET recebendo, em 1991, uma nova atualização tecnológica, passando a operar com enlaces de 45 Mbit/s (linhas T3). A nova infraestrutura se tornaria o centro nervoso das comunicações acadêmicas dos Estados Unidos, conectando agora milhares de universidades, laboratórios, bibliotecas e instituições de pesquisa.

Este sucesso faria com que a própria ARPANET, considerada a precursora da Internet, fosse desativada em 28 de fevereiro de 1990, com muitas de suas funções tendo sido absorvidas pela NSFNET.
Sua robustez técnica, aliada à enorme capacidade e o alcance nacional, permitiriam que esta rede também viesse a suportar todo o tráfego da nova World Wide Web e da “Internet comercial” que vinha nascendo, expandindo seu alcance para muito além dos limites estritos das pesquisas estatais e acadêmicas.
Este crescimento das aplicações comerciais e o surgimento de empresas interessadas em fornecer acesso à Internet fariam com que o governo dos Estados Unidos passasse a incentivar a transição da rede para uma infraestrutura privada, com seu uso deixando de ser exclusivamente acadêmico.

E com a evolução da participação das empresas privadas de telecomunicação e a criação de pontos de acesso comerciais à rede, a operação governamental viria a ser tornar obsoleta. Isso faria com que, em 30 de abril de 1995, a NSFNET fosse oficialmente desativada como backbone nacional da Internet, com suas funções sendo transferidas para uma nova geração de redes comerciais interconectadas, conhecidas como Network Access Points (NAPs), operadas por empresas privadas de telecomunicações.
Tendo transformado um conjunto de redes acadêmicas isoladas em uma infraestrutura nacional de comunicação, além de ter ajudado a consolidar o uso do protocolo TCP/IP em larga escala, a NFSNET contribuiria de forma decisiva para a criação de um modelo de estrutura hierárquica de redes, composta por um backbone nacional e diversas redes regionais, que se tornaria a base da arquitetura da Internet moderna.
E você, qual foi a rede de comunicação de dados mais importante da história na sua opinião?
Clique aqui e deixe seu comentário no final desta postagem! Sua participação é muito importante pra nós!
Vídeo(s):
*legendas disponíveis nos controles do Youtube, na opção “⚙ >> Legendas/CC >> Traduzir automaticamente”.
Mais em:
- A ARPANET – embrião da Internet de 1969
- O primeiro link da ARPANET de 1969
- O TCP/IP se tornava o protocolo padrão da ARPANET em 1983
- O microcomputador IBM RT PC de 1986
- O artigo “Gerenciamento de Informações: Uma Proposta” de 1989
- O National Center for Supercomputing Applications NCSA de 1986
*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.
Quer nos ajudar com doações de itens para o acervo do Museu Capixaba do Computador – MCC?
Entre em contato conosco por meio dos canais de comunicação identificados nos ícones abaixo, ou ainda por quaisquer uma das nossas redes sociais listadas no topo da página.
As doações também poderão ser entregues diretamente na sede do museu, neste endereço.
Para refrescar a memória e te ajudar a identificar alguns itens que buscamos, aqui você encontra nosso álbum de “Procura-se” .
Colabore você também com o primeiro museu capixaba dedicado à memória da tecnologia da informação!
Doe seus itens sem uso. Você ajuda a natureza e dá uma finalidade socialmente útil pra eles!














A Internet Engineering Task Force IETF de 1986