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Em 19 de janeiro de 1986, surgia o Brain, considerado o primeiro vírus de computador a infectar computadores tipo IBM PC.

Criado pelos irmãos paquistaneses Basit Farooq Alvi e Amjad Farooq Alvi, que trabalhavam como técnicos e proprietários de uma pequena loja de informática em Lahore, no Paquistão (a Brain Computer Services), o vírus Brain é amplamente reconhecido como tendo sido o primeiro vírus de computador da história a se espalhar em computadores PC por meio de disquetes.

Mas ao contrário das ameaças destrutivas que conhecemos hoje, o Brain não nasceu com o intuito de apagar arquivos ou sequestrar dados para extorsão. A motivação dos irmãos Alvi era, curiosamente, combater a pirataria desenfreada e proteger direitos autorais de um software médico que haviam desenvolvido. Eles queriam rastrear cópias ilegais e punir os usuários que utilizavam versões não autorizadas de seus programas, inserindo um pequeno código que se replicava silenciosamente através de disquetes.

A forma de propagação do Brain refletia a realidade tecnológica do período, onde a troca de disquetes entre usuários e empresas era algo corriqueiro, dado que a internet ainda não estava disponível comercialmente e os meios de compartilhamento de dados eram essencialmente “físicos”.

Assim, o vírus se espalharia rapidamente entre usuários de computadores IBM PC e clones em diversas partes do mundo, atingindo a Europa e os Estados Unidos ainda em 1986, e tornando-se a primeira vez em que a comunidade internacional tomaria consciência de que um programa malicioso poderia se disseminar de forma autônoma e silenciosa, inaugurando uma nova era na segurança digital.

Concebido para operar sobre o sistema operacional MS-DOS/PC-DOS, amplamente utilizados na época nos computadores compatíveis com o padrão IBM PC, o vírus Brain se espalhava infectando disquetes formatados no padrão FAT (File Allocation Table). Quando o usuário ligava o computador com o disco inserido, o vírus era carregado na memória antes mesmo do sistema operacional, permitindo que ele assumisse o controle das operações de leitura e escrita.

Tecnicamente tipificado como um “vírus de boot”, o engenhoso vírus Brain (que ocupava cerca de 3,5 KB de espaço no disco) substituía o setor de inicialização (boot) original do disquete por uma cópia de si mesmo, movendo o setor original do sistema para outra área do disco estrategicamente marcada como “defeituosa”, garantindo que o sistema operacional não tentasse gravar informações ali.

vírus de computador Brain 2
Basit Farooq Alvi e Amjad Farooq Alvi (de pé): criadores do Brain

A partir daí, sempre que um novo disquete fosse inserido no computador infectado com ele, o Brain se instalava em sua área de boot, alterando o setor inicial de leitura do disco. Da mesma forma, inicializar qualquer computador com este disquete faria com que o novo sistema também passasse a ser infectado, reiniciando o processo.

Outra de suas particularidades estava associada ao fato de que, quando o usuário ou um software de diagnóstico tentava ler o setor de boot infectado, o vírus interceptava a requisição e exibia o setor original e limpo do sistema, de modo a ocultar sua própria presença e dificultar a detecção manual, o que faria dele o primeiro vírus a utilizar técnicas de “furtividade” (stealth).

Mas uma característica absolutamente única do Brain era a sua total transparência quanto à “autoria”, incluindo, dentro do próprio código, uma mensagem de aviso que continha os nomes dos seus autores, o endereço da loja em Lahore e até mesmo três números de telefone para que as vítimas entrassem em contato para “vacinar” seus computadores.

A mensagem, exibida em inglês nas máquinas infectadas, dizia:

“Welcome to the Dungeon © 1986 Amjads (pvt). BRAIN COMPUTER SERVICES 730 NIZAM BLOCK ALLAMA IQBAL TOWN LAHORE-PAKISTAN PHONE: 430791,443248,280530. Beware of this VIRUS…. Contact us for vaccination…”.

Contudo, apesar desse comportamento, o Brain não danificava arquivos nem apagava dados, tendo como missão simplesmente se replicar e exibir a mensagem de autoria. Ainda assim, muitos usuários enfrentariam lentidão nos sistemas e falhas ocasionais de inicialização e de carregamento de programas, o que contribuiria para sua fama e para o temor crescente em torno de programas autorreplicantes.

Os irmãos Alvi não antecipariam, entretanto, a velocidade da propagação global. Como os disquetes eram o principal meio de troca de informações na década de 1980, o Brain cruzaria fronteiras rapidamente, sendo detectado, em poucos meses, em universidades e empresas nos Estados Unidos, na Europa e em outras partes da Ásia, gerando pânico em uma população que nunca ouvira falar em vírus de computador.

O “sucesso” da infecção foi tão grande que os telefones da Brain Computer Services em Lahore começaram a tocar incessantemente com chamadas de pessoas do mundo todo, muitas delas enfurecidas ou confusas, com seus criadores afirmando, anos depois, que não esperavam tamanha escala para o que consideravam um experimento de proteção. 😊

vírus de computador Brain 3
Dois anos depois, a revista Time dedicaria sua capa ao assunto

Com a evolução tecnológica, o lançamento de novas versões do sistema operacional MS-DOS e de disquetes de maior densidade, o ciclo de vida do Brain começaria a declinar, com ele acabando por se tornar “obsoleto”. As mudanças na arquitetura de inicialização dos computadores e a padronização de novas capacidades de armazenamento impediriam que o código original continuasse se replicando em sistemas modernos.

Mas muito embora tenha sido tecnicamente “descontinuado” pela evolução do hardware e software, ele deixaria um “legado” permanente, forçando a indústria a reconhecer que os computadores pessoais eram vulneráveis, dando origem à nova área de segurança de sistemas e definindo o conceito de “malware” para as gerações futuras.

Além disso, o caso do Brain também marcaria o início da “indústria dos antivírus”, que despontaria na segunda metade dos anos 1980, com empresas e pesquisadores passando a estudar maneiras de detectar e eliminar esse tipo de ameaça, levando à criação dos primeiros programas antivírus e das primeiras discussões sobre segurança da informação.

Com o passar dos anos, muito embora viesse a deixar de representar um perigo real, o Brain deixaria sua marca na história como tendo sido o ponto de partida da era dos vírus de computador de PCs. O próprio Basit Alvi, em entrevistas concedidas décadas depois, afirmaria que jamais teria imaginado a proporção que seu código alcançaria, nem o impacto que teria na cultura digital.

Embora tenha surgido em um contexto relativamente “inocente”, o Brain abriria caminho para a criação de milhares de outros vírus e malwares ao longo das décadas seguintes, demonstrando que a automação da replicação de software poderia ser usada tanto para o aprendizado e a pesquisa quanto para o dano e a exploração.

Atualmente, os irmãos Alvi ainda operam sua empresa no Paquistão, agora focada em serviços de telecomunicações e internet. O Brain permanece como um lembrete de uma era mais ingênua da computação, onde o vírus vinha com nome, endereço e telefone dos autores. 😂


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Vídeo(s):

*legendas disponíveis nos controles do Youtube, na opção “⚙ >> Legendas/CC >> Traduzir automaticamente”.

Os irmãos Alvi contam sua história
O vírus Brain em ação
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*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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