O Iomega Zip Drive de 1995

Em março de 1995, a fabricante norte-americana de dispositivos de armazenamento Iomega lançava o Iomega Zip Drive, o “super disquete”.
Falamos de uma época na primeira metade dos anos 90 em que o armazenamento removível era dominado pelos disquetes de 3 ½”, capazes de armazenar meros 1,44 MB de dados. Esta capacidade, contudo, já começava a dar sinais se insuficiência, visto que os documentos vinham se tornando cada vez maiores, podendo agora conter fotos, ilustrações, vídeos e uma grande variedade de conteúdo multimídia.
Somando-se o fato de que os “pendrives” USB (flash drives) ainda não tinham sido inventados, e que o armazenamento óptico (CD-ROM) não fazia parte da realidade de maioria das pessoas, ficava claro que o mercado necessitava de uma solução com maior capacidade.

Produzido pela empresa norte-americana Iomega, que nas duas décadas anteriores tinha alcançado relativo sucesso com soluções de armazenamento removível (como os discos Bernoulli Box e a unidade de fitas Ditto), surge assim o Iomega Zip Drive, um dispositivo de armazenamento removível que prometia revolucionar a forma como usuários e empresas armazenavam e transportavam grandes quantidades de dados.
Inicialmente capaz de armazenar espantosos 100 MB de dados (o equivalente a 70 disquetes), o Iomega Zip Drive se colocava como alternativa aos disquetes tradicionais, que já não conseguiam acompanhar as necessidades dos usuários, oferecendo uma solução prática e inovadora para backup e transporte de dados, fazendo com que rapidamente se tornasse uma ferramenta indispensável para profissionais e entusiastas de tecnologia.

Com um design compacto e elegante, o Iomega Zip Drive estava disponível em versões externas e internas, compatíveis com interfaces paralelas e SCSI, atendendo tanto usuários de PCs quanto de Macs. Mais tarde, versões com conexões ATAPI, USB e FireWire também foram lançadas.
Seu diferencial estava não apenas na capacidade armazenamento significativamente maior, mas também em sua velocidade e confiabilidade. Utilizando uma tecnologia de gravação/leitura magnética de alta densidade, similar à dos discos rígidos, o dispositivo oferecia um desempenho muito superior aos disquetes (quase 90x mais rápido), ao mesmo tempo em que conseguia reduzir os riscos de falhas comuns nos disquetes convencionais.
No período que se seguiu, a empresa lançaria ainda versões melhoradas dos discos Zip Drives, aumentando a capacidade de armazenamento para 250 MB e, posteriormente, para 750 MB, atendendo à crescente demanda por armazenamento na era pré-USB.

Sucesso comercial imediato, com milhões de unidades comercializadas, os discos Iomega Zip Drive se tonariam um “padrão de fato” no mercado de armazenamento removível, dominando quase que isoladamente segmento no período compreendido entre a segunda metade da década de 1990 e início dos anos 2000.
Muitos profissionais de design gráfico, edição de vídeo e engenharia utilizavam os discos Zip para armazenar projetos complexos que não cabiam em mídias convencionais. Grandes empresas e órgãos governamentais também adotaram o formato para backup de documentos críticos. Além disso, o Zip Drive foi integrado a alguns modelos de computadores da Apple e de fabricantes de PCs, consolidando sua presença no mercado.
No entanto, apesar de todo o sucesso inicial, o Iomega Zip Drive começaria a perder espaço com o avanço de novas tecnologias de armazenamento. O surgimento dos discos ópticos graváveis como CD-Rs e CD-RWs (que ofereciam até 700 MB de capacidade por um custo menor), dos pen-drives USB e discos rígidos externos, acabariam por tornar o Iomega Zip Drive obsoleto.

Além disso, problemas técnicos enfrentados pelos usuários, como o temido “Clique da Morte” (Click of Death), uma falha que podia corromper discos e tornar os dados inacessíveis. Esse problema mancharia profundamente a reputação do produto, levando a Iomega a enfrentar não só críticas, como também processos judiciais.
Sem conseguir se adaptar à nova conjuntura do mercado, a competição com alternativas mais modernas e acessíveis fariam com que, por volta do final dos anos 2000, a produção dos discos Zip fosse sendo gradualmente descontinuada, marcando o fim de uma era no armazenamento portátil.
Embora tenha apresentado várias novas soluções e produtos nos anos seguintes, a empresa viu seu faturamento derreter, culminando com a aquisição da Iomega em 2012 pela Lenovo, com seu nome desaparecendo do mercado, sendo incorporado à marca LenovoEMC.
E você, teve algum dos modelos do Iomega Zip Drive? Que tipo de dados guardava nele?
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Vídeo(s):
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Mais em:
- O Iomega Removable Rigid Disk RRD de 2003
- O padrão ATA para dispositivos de armazenamento de 1994
- A unidade de disco removível IBM 1311 de 1962
- O disco ótico Enhanced Versatile Disc EVD para vídeo de 2003
- O disco óptico HD-ROM de 1998
- A unidade de disquetes Shugart SA400 de 1976
- O primeiro disco rígido IBM 350 Disk Storage Unit de 1956
*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.
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