O software GIMP de 1995

Em 21 de novembro de 1995, os programadores Spencer Kimball e Peter Mattis anunciavam a primeira versão pública do software livre para edição de imagens GIMP.
Sigla para GNU Image Manipulation Program (Programa de Manipulação de Imagem do GNU), o software GIMP nasceria pelas mãos dos então estudantes da Universidade da Califórnia Spencer Kimball e Peter Mattis, como um projeto universitário cuja ideia era a de criar uma alternativa gratuita, e de código aberto, ao popular programa de edição de imagens Adobe Photoshop, que na época já dominava o mercado profissional.
Sua primeira versão beta pública, anunciada no dia de hoje, foi batizada originalmente como “General Image Manipulation Program“, já oferecendo suporte a paletas de cores de 8 a 24 bits, edição de múltiplas imagens simultaneamente, zoom e pan em tempo real, dentre outras funcionalidades só oferecidas por softwares profissionais, cujas licenças custavam centenas ou milhares de dólares.
A primeira versão “estável” (stable) a ser lançada ao público, a GIMP 0.54, chegaria alguns meses depois, em 15 de fevereiro de 1996. Essa versão, contudo, em função de se utilizar da biblioteca gráfica Motif para sua interface, que exigia licenças comerciais, acabaria limitando seu uso por usuários de sistemas operacionais livres, como o Linux, que precisariam adquirir o Motif separadamente.

Essa dependência seria resolvida definitivamente em julho de 1996, com o lançamento da versão GIMP 0.60, que marcaria a introdução de um novo conjunto de ferramentas, o GTK (GIMP Toolkit) e o GDK (GIMP Drawing Kit), criados por Spencer e Peter para substituir o Motif, permitindo portar o GIMP para diversos sistemas “tipo-Unix” com mais liberdade.
O GTK, embora “nascido” com o GIMP, se tornaria posteriormente a base para a criação de ambientes gráficos completos, como o GNOME, influenciando diversos outros projetos de código aberto. A versão GIMP 0.60 também traria novidades importantes para o artista gráfico, como as camadas básicas e ferramentas de pintura aprimoradas.
Em 1997, o programa passaria a fazer oficialmente parte do projeto GNU, com seu nome passando a significar “GNU Image Manipulation Program”. A adoção dessa filosofia de software livre permitiria que uma comunidade de desenvolvedores voluntários participasse ativamente do projeto, criando uma infinidade de plugins, scripts, traduções e extensões.
A versão GIMP 0.99, disponibilizada em 26 de fevereiro de 1997, funcionaria como um campo de testes e melhorias antes do lançamento da primeira ”versão maior”, o que ocorreria efetivamente em 5 de junho de 1998, com o lançamento da versão GIMP 1.0.

Esta versão seria considerada estável o suficiente para ser anunciada mundialmente e utilizada em trabalhos profissionais. Desde então, o GIMP se consolidaria como uma das ferramentas mais importantes e influentes no ecossistema de software livre e código aberto, abrindo caminho para outros projetos com a mesma filosofia de distribuição.
Ele ofereceria desde cedo funcionalidades bastante relevantes para edição de imagens, como manipulação de camadas (“layers”), variadas ferramentas de pintura, suporte a múltiplos formatos de arquivo, scripts de automação (como Script-Fu) e extensibilidade via plugins.
Em particular, o formato nativo XCF foi desenvolvido para armazenar camadas, canais, transparência e demais informações internas de imagem, de modo similar ao que os arquivos PSD do Adobe Photoshop faziam.
O desenvolvimento contínuo do GIMP ao longo dos anos, mantido por uma comunidade global de desenvolvedores voluntários (a “The GIMP Team“), evoluiria a ferramenta de um editor destinado exclusivamente aos usuários Unix para passar a abranger também ambientes como Microsoft Windows e macOS.

A partir de sua versão GIMP 2.6, o software daria um salto importante com a introdução experimental da biblioteca GEGL (Generic Graphics Library), que permitiria suporte a maior profundidade de cor, edição não-destrutiva e maior flexibilidade no processamento de imagem. Na versão seguinte, a GIMP 2.8, seria introduzida a opção de modo de janela única, tornando a interface mais convencional e fácil de usar. A partir da GIMP 2.10 o GIMP consolidaria integradamente o uso de GEGL.
Após um longo período desde o último lançamento, a versão GIMP 3.0 se tornaria um marco significativo, chegando com melhorias na interface gráfica graças à migração para o GTK3. Esta atualização, que levaria cerca de sete anos de desenvolvimento para ser finalizada, seria lançada em 16 de março de 2025, trazendo novidades há muito solicitadas, como a edição não-destrutiva de filtros GEGL, gerenciamento de camadas mais eficiente com possibilidade de seleção múltipla de camadas, canais e caminhos (paths), suporte às linguagens Python 3, JavaScript, Lua e Vala no desenvolvimento de scripts, além de suporte aprimorado a diferentes espaços de cor RGB além do sRGB, como o Adobe RGB, recurso crucial para profissionais que trabalham com impressão.
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