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Em 29 de maio de 2001, a fabricante norte-americana de chips Intel anunciava seu novo microprocessador de 64bits, o Intel Itanium, voltado ao segmento de servidores corporativos e estações de trabalho de alto desempenho.

Nascido de uma colaboração entre a Intel e a Hewlett-Packard (HP) iniciada oficialmente em 08 de junho de 1994, na qual a HP buscava um sucessor para a arquitetura Precision Architecture-RISC, o projeto do microprocessador Intel Itanium (codinome “Merced”), tinha como objetivo criar uma arquitetura de 64 bits totalmente nova, chamada de IA-64, que romperia com as limitações da arquitetura x86 de 32 bits que então dominava o mercado na época.

Voltada a servidores corporativos, estações de trabalho avançadas e aplicações científicas, em vez de seguir a tradicional linha x86, o projeto apostaria em um desenho radicalmente diferente baseado na inovadora tecnologia VLIW (Very Long Instruction Word), que transferia a responsabilidade de organizar o paralelismo das instruções do hardware para o compilador de software, rebatizada posteriormente como EPIC (Explicitly Parallel Instruction Computing).

Após diversos atrasos no desenvolvimento que geraram grande expectativa e incerteza no mercado, o primeiro processador da família, o Intel Itanium (Merced), teria sua disponibilidade comercial finalmente anunciada em 29 de maio de 2001, com os primeiros modelos de computadores sendo anunciados pelos fabricantes já no mês seguinte, apresentados como o “futuro da computação empresarial”.

Microprocessador Intel Itanium 2
Merced: primeiro modelo

Tecnicamente, o Intel Itanium era muito diferente dos processadores convencionais pois, em vez de depender fortemente do hardware para descobrir instruções executáveis em paralelo, a arquitetura transferia essa responsabilidade ao software compilador, permitindo, em teoria, altíssimo desempenho com menor complexidade interna.

Na prática, porém, essa abordagem exigia compiladores extremamente sofisticados e programas altamente otimizados. Além disso, apesar de apresentando como tendo uma performance excepcional em cálculos de ponto flutuante, a compatibilidade com softwares x86de 32bits existentes dependia de emulação, cujo desempenho era frequentemente decepcionante, dificultando sua adoção em larga escala.

Projetado para servidores de alto desempenho e estações de trabalho de engenharia, seu modelo original, construído a partir de 25,4 milhões de transistores e usando tecnologia de 180 nanômetros, possuía frequências de operação de 733 MHz e 800 MHz, cache de terceiro nível (L3) externo de 2 MB ou 4 MB e barramento de sistema de 266 MHz de velocidade.

Itanium 2
Microprocessador Intel Itanium 3
O microprocessador Intel Itanium 2

Em 08 de julho de 2002, a Intel lançaria a segunda geração da CPU, o Intel Itanium 2 (codinome McKinley), construído a partir de 221 milhões de transistores usando tecnologia de 180 nanômetros e operando em velocidades de 900 MHz e 1 GHz, eliminaria alguns “gargalos” da versão original, trazendo melhorias significativas na largura de banda do barramento e na integração do cache L3 diretamente no núcleo do processador, operando agora na mesma velocidade do núcleo do processador.

Com um melhor desempenho, maior escalabilidade e melhor aceitação pelo mercado corporativo, o Intel Itanium 2 destinava-se a servidores com múltiplos processadores, inclusive sistemas de 8, 16, 32 ou mais CPUs, com diversos fabricantes lançando máquinas baseadas na plataforma.

Microprocessador Intel Itanium 4
Itanium 2 (McKinley)

Com o passar dos anos, a linha evoluiria com modelos como o “Madison” em 30 de junho de 2003, que com 410 milhões de transistores e tecnologia de construção de 130 nanômetros, alcançava 1,5 GHz com até 6 MB de cache L3, consolidando a presença da linha em supercomputadores e servidores de missão crítica.

Microprocessador Intel Itanium 5
Itanium 2 (Madison)

No entanto, o cenário mudaria drasticamente com a chegada da extensão x86-64 da AMD em 2003 (Opteron e Athlon 64), adversários inesperados que permitiam rodar sistemas de 64 bits mantendo a compatibilidade nativa, direta e veloz com softwares de 32 bits preexistentes, algo que o Intel Itanium não conseguia fazer com a mesma eficiência.

O “senhor mercado” rapidamente perceberia que essa transição dos 64bits pelo “caminho AMD” era mais simples, barata e prática do que migrar para o IA-64, fazendo com que a própria Intel viesse a acabar adotando o x86-64 em seus Xeon e Pentium, reduzindo ainda mais o espaço estratégico do Intel Itanium.

A Intel reagiria algum tempo depois lançando, em 18 de julho de 2006, o primeiro Itanium de núcleo duplo, codinome “Montecito”, que com 1,72 bilhão de transistores em tecnologia de 90 nanômetros, trazia recursos como Hyper-Threading e um impressionante cache total de 24 MB.

Microprocessador Intel Itanium 6
Itanium 2 9000 (Montecito)

Mas apesar do se poder de fogo da CPU, o ecossistema de software para a plataforma Intel Itanium começaria a minguar, na medida que grandes desenvolvedoras como a Microsoft, a Oracle e a Red Hat anunciariam gradualmente o fim do suporte para a arquitetura IA-64 em favor da arquitetura x86-64.

Mesmo com a redução do mercado, a linha continuaria viva por muitos anos em nichos especializados, com a Intel mantendo o compromisso com clientes de longo prazo, como a HP (principal defensora da plataforma), lançando a série Itanium 9300 (Tukwila) em 08 de fevereiro de 2010 e a série 9500 (Poulson) em 08 de novembro de 2012, já com oito núcleos físicos.

Microprocessador Intel Itanium 7
Itanium 2 9300 (Tukwila)
Microprocessador Intel Itanium 8
Itanium 2 9500 (Poulson)

O capítulo final desta trajetória começaria a ser escrito em 11 de maio de 2017, com o lançamento da última família de processadores, a série Itanium 9700 (Kittson), fabricada em 32 nanômetros e operando a 2,66 GHz. Nessa altura, praticamente apenas a HP (agora Hewlett Packard Enterprise) ainda utilizava o processador em seus novos sistemas.

Microprocessador Intel Itanium 9
Itanium 9700 (Kittson)

O “The End” chegaria dois anos depois, em 30 de janeiro de 2019, quando a Intel anunciaria oficialmente a descontinuação da linha, declarando que pedidos finais seriam aceitos até 30 de janeiro de 2020, com os últimos embarques ocorrendo em 29 de julho de 2021, encerrando assim uma trajetória de duas décadas no mercado.


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Vídeo(s):

*legendas disponíveis nos controles do Youtube, na opção “⚙ >> Legendas/CC >> Traduzir automaticamente”.

Comparando a performance de uma aplicação nativa IA-64 e outra x86 emulada.
A arquitetura IA-64 do Intel Itanium
Mais em:



*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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