O jogo Duke Nukem 3D de 1996

Em 29 de janeiro de 1996, a desenvolvedora de games 3D Realms lançava o jogo Duke Nukem 3D, um dos jogos de tiro em primeira pessoa mais emblemáticos da história.
Desenvolvido pela empresa 3D Realms (antiga Apogee Software) e distribuído pela FormGen (GT Interactive), o jogo Duke Nukem 3D foi o terceiro da franquia (sucedendo as versões Duke Nukem, de 1º de julho de 1991, e Duke Nukem II, de 3 de dezembro de 1993), mas o primeiro a abandonar as mecânicas de plataforma em duas dimensões que consagraram seus antecessores no início daquela década.
Combinando ação intensa, humor irreverente e ambientes interativos, o jogo apresentava um protagonista carismático, que se tornaria ícone da cultura dos videogames: Duke Nukem, um herói musculoso, sarcástico e de fala provocante, cuja missão era enfrentar uma invasão alienígena na Terra.
Com uma primeira versão criada para computadores compatíveis com o sistema MS-DOS, a produção Duke Nukem 3D começaria dois anos antes, em 1994, sob a liderança de George Broussard e Scott Miller, que buscavam criar uma experiência que superasse o que havia sido estabelecido por megassucessos como Doom.

Para rodar o título com fluidez na época, Duke Nukem 3D exigia computadores relativamente poderosos e compatíveis com o sistema MS-DOS, equipados com processadores Intel 80486 DX2 de 66 MHz de velocidade ou superior, memória RAM mínima de 8 MB, placa de som Sound Blaster ou compatível e placa de vídeo VGA capaz de exibir gráficos com 256 cores.
Ocupando cerca de 30 MB de espaço em disco rígido, o jogo podia ser instalado a partir de disquetes ou, posteriormente, em versões em CD-ROM, que incluíam trilha sonora digitalizada e recursos multimídia adicionais.
O “coração tecnológico” de Duke Nukem 3D era o motor gráfico Build Engine, concebido pelo jovem e talentoso programador Ken Silverman em 1995, que permitia a criação de ambientes “pseudo-3D”, com escadas, elevadores, janelas transparentes e até espelhos refletindo o personagem, o que conferia um nível de liberdade e realismo notáveis ao jogo.
Diferentemente de outros motores da época, o Build permitia a criação de setores inclinados, setores que se moviam de forma complexa (como metrôs e elevadores) e, crucialmente, permitia que o jogador olhasse para cima, para baixo e pulasse, oferecendo uma verticalidade até então rara no gênero de tiro em primeira pessoa (FPS).

Além disso, o jogo traria uma grande variedade de armas, desde pistolas e escopetas até explosivos e armamentos futuristas, uma combinação de tecnologia e criatividade que faria de Duke Nukem 3D um divisor de águas na história dos jogos de tiro em primeira pessoa, consolidando-se como um dos maiores sucessos da década de 1990, ao lado de títulos como Doom (1993) e Quake (1996).
Um dos diferenciais que rapidamente cativaria o público era o nível de interatividade sem precedentes com o cenário. No mundo de Duke Nukem 3D, era possível destruir paredes para encontrar passagens secretas, acender e apagar luzes, usar telefones, usar vasos sanitários, olhar no espelho e até jogar uma partida de sinuca, uma atenção aos detalhes que dava ao jogo uma sensação de realismo e imersão, transformando cada um dos níveis em um “mundo vivo” e não apenas labirintos estáticos.
A personalidade do protagonista também seria um fator determinante para o sucesso cultural do jogo. Dublado por Jon St. John, Duke era um herói de ação carregado de testosterona e frases de efeito inspiradas em filmes de Hollywood, especialmente em obras do diretor John Carpenter. Suas falas icônicas, disparadas durante os combates contra alienígenas que invadiram uma Los Angeles futurista, ajudaram a dar um rosto e uma voz a um gênero que costumava ter protagonistas silenciosos.

A estratégia de distribuição de Duke Nukem 3D seguiria o modelo consagrado pela Apogee, cuja primeira a versão “shareware”, contendo o primeiro episódio completo, seria disponibilizada gratuitamente no dia de hoje para atrair o público, enquanto a versão completa chegaria às prateleiras no dia 19 de abril de 1996.
O sucesso comercial de Duke Nukem 3D seria imediato, vendendo milhões de cópias ao redor do mundo e recebendo dezenas de prêmios da crítica especializada. O tom adulto e provocativo, com humor ácido, frases icônicas e referências à cultura pop, também o tornaria um dos jogos mais comentados e controversos do período.
Mas devido ao seu conteúdo, o jogo, não ficaria longe das polêmicas, apresentando temas adultos (com um toque de erotismo), violência explícita e referências à cultura pop que o tornaram alvo de debates em diversos países, inclusive no Brasil, com muitas de suas versões recebendo classificações etárias elevadas ou sendo censuradas em alguns locais.

A popularidade do jogo levaria ao lançamento de diversas expansões e adaptações. No dia 14 de novembro de 1996, a 3D Realms lançaria o Plutonium Pak, uma expansão que atualizava o jogo para a versão 1.4 e adicionava um quarto episódio inédito, novos inimigos e uma arma de micro-ondas. Esse pacote foi posteriormente consolidado na versão definitiva conhecida como Duke Nukem 3D: Atomic Edition.
Ela seria seguida de versões para outras plataformas, como o computador Macintosh (25 de maio de 1997), e para consoles de mesa, como o Sony PlayStation (30 de setembro de 1997), Sega Saturn (31 de outubro de 1997), Nintendo 64 (31 de outubro de 1997) e SEGA Mega Drive (12 de outubro de 1998, pela brasileira TecToy), embora algumas dessas adaptações tenham sofrido cortes e modificações gráficas devido às limitações de hardware ou censura.
Apesar de sua enorme popularidade, o desenvolvimento da sequência direta, Duke Nukem Forever, se tornaria notória por seus inúmeros atrasos, permanecendo em um ciclo de desenvolvimento problemático por quase 15 anos, até ser finalmente lançada em 10 de junho de 2011, já pela Gearbox Software, sem contudo repetir o mesmo sucesso do original.

Embora o título original tenha sido tecnicamente “encerrado” em termos de desenvolvimento ativo após as expansões de 1996, com o passar dos anos, Duke Nukem 3D seria relançado diversas vezes em versões aprimoradas e remasterizações, como Duke Nukem 3D: Megaton Edition (2013) e Duke Nukem 3D: 20th Anniversary World Tour (2016), esta última comemorando os 20 anos do lançamento original, com gráficos atualizados e novos conteúdos.
O impacto cultural de Duke Nukem 3D foi tão grande que o personagem Duke Nukem viria a se tornar uma das figuras mais reconhecidas dos videogames dos anos 1990, com uma popularidade que inspiraria uma longa série de produtos, como brinquedos, livros, camisetas e quadrinhos.
Para conhecer ou relembrar:
Que tal uma partidinha pra matar a vontade?
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*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.
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