O telefone celular chega ao Brasil em 1990

Em 30 de dezembro de 1990, a companhia estatal estadual de telecomunicações TELERJ lançava, no Rio de Janeiro, o primeiro sistema de telefone celular do Brasil.
Embora os primeiros conceitos de sistemas de telefonia móvel tenham surgido nos Estados Unidos ainda na década de 1940, o mundo só veria uma ampla disseminação da tecnologia na década de 80, quando o primeiro serviço comercial seria inaugurado pela empresa estadunidense Ameritech Mobile Communications.
Mas demorariam mais alguns anos até que a novidade desembarcasse aqui pelas terras tupiniquins…
Até então, o serviço telefônico no Brasil, baseado em linhas fixas, era bastante restrito (e um tanto caro), carregado ainda de uma boa dose de “status” para seus proprietários, com longas listas de espera para a instalação de novas linhas fixas por meio dos conhecidos “planos de expansão”. As linhas telefônicas, consideradas “bens patrimoniais”, precisavam ser declaradas no Imposto de Renda e eram negociadas em mercados paralelos por valores astronômicos.
Mas este cenário daria o primeiro passo na direção da mudança quando o primeiro sistema de telefonia móvel celular do país entrou oficialmente em operação, no dia de hoje, na cidade do Rio de Janeiro, fazendo do Brasil o primeiro país da América do Sul a adotar oficialmente a tecnologia.

Os testes do sistema haviam iniciado meses antes, em 10 de agosto de 1990, quando, a partir do Aterro do Flamengo na cidade do Rio, utilizando-se de um telefone móvel NEC EZ-2400-A, Joel Marciano Rauber (Secretário Nacional de Comunicações na época), fez uma ligação para Osíris Silva (então Ministro da Infraestrutura), que recebeu a chamada em um telefone fixo na cidade de São Paulo.
O serviço, lançado pela Telerj, empresa do sistema Telebrás responsável pelas telecomunicações no estado do Rio de Janeiro, utilizava uma tecnologia de comunicação analógica de primeira geração (1G) baseada no padrão AMPS (Advanced Mobile Phone System), o mesmo sistema usado nos Estados Unidos desde 1983.
Mas esta tecnologia não foi, digamos, “popular” em seu início. Possuir um desses aparelhos no início da década de 90 era um símbolo de altíssimo status social, visto que o preço do aparelho telefônico e a taxa de habilitação da linha podia ultrapassar o valor de um carro popular da época, que somados às tarifas extremamente altas, restringia seu uso a executivos, empresários e políticos.
O sistema, que operava em frequências de 800 MHz e utilizava a modulação de frequência (FM) para a transmissão, possibilitava comunicações exclusivamente de voz, sem suporte para envio de mensagens de texto ou dados, funções que só surgiriam anos depois, com o advento das gerações tecnológicas seguintes.

Ao mesmo tempo o Brasil conheceria também aquele que se tornaria um dos “protagonistas tecnológicos” desse lançamento, lendário telefone Motorola PT-550, que rapidamente ganharia o “carinhoso” apelido de “tijolão” devido às suas dimensões e peso consideráveis.
Após o Rio de Janeiro, o serviço de telefonia celular se expandiria no ano seguinte para outras capitais, como Brasília Campo Grande, Belo Horizonte e Goiânia. A gigante cidade de São Paulo, mais populosa do país, só receberia o sistema em 06 de agosto de 1993, operado pela Telesp. Já em nossa querida capital capixaba, a mobilidade desembarcaria em 16 de novembro de 1993, pelas mãos da nossa operadora local Telecomunicações do Espírito Santo S/A (Telest).
Durante a década de 1990, o Brasil viveria a era de ouro do sistema AMPS analógico, onde a segurança era uma preocupação constante, já que a falta de criptografia nas transmissões permitia que as conversas fossem facilmente interceptadas por scanners de rádio ou que os números fossem “clonados”.
O crescimento foi rápido, mas desigual, pois, como a infraestrutura era limitada e o número de linhas disponíveis era muito inferior à demanda, a possibilidade de ter um celular continuava como um privilégio restrito a poucos milhares de assinantes. A cobertura, embora crescente, ainda se restringia às principais cidades e rodovias.
A grande virada tecnológica ocorreria no fim da década, com a chegada das tecnologias digitais de segunda geração (2G), como o TDMA (Time Division Multiple Access) e o CDMA (Code Division Multiple Access). Estas novas redes ofereciam maior capacidade de tráfego, melhor qualidade de áudio e, especialmente, maior segurança contra fraudes, além de permitir o envio das primeiras mensagens curtas de texto, os famosos SMS, apelidados de “torpedos” na época.

Em 1998, com o processo de privatização do sistema Telebrás, as ex-operadoras estatais ganhariam a concorrência de empresas privadas (as operadoras “espelho”, operando na faixa de frequência conhecida como “Banda B”), como a BCP, Tess, ATL, Americel, Maxitel, entre outras, que começariam a investir fortemente na modernização da rede. A partir desse momento, os celulares começariam a se popularizar rapidamente, deixando de ser considerados um “artigo de luxo”.
A descontinuação do sistema analógico AMPS no Brasil ocorreria de forma gradual ao longo da década de 2000, na medida em que a tecnologia GSM (Global System for Mobile Communications) se tornava o padrão dominante. Este processo teria sido concluído, conforme anúncio da época feito pela Anatel, em junho de 2010, quando as últimas 509 linhas ainda ativas foram desativadas.
Entretanto, a mesma Agência Nacional de Telecomunicações autorizaria a manutenção de torres do sistema AMPS até dezembro de 2015, em função da existência de diversos de usuários que se utilizavam da tecnologia para operar sistemas de telefonia fixa em áreas rurais (RuralCel), fornecidos pela concessionária OI na época.

O crescimento do sistema de telefonia móvel no Brasil foi espantoso. Em seus primeiros anos de operação, entre 1990 e 1991, o número de usuários de telefonia celular de todo o território nacional não passava de 30 mil assinantes. Uma década depois, já em 2000, o país ultrapassava a marca de 20 milhões de linhas ativas, com a combinação de novas tecnologias, concorrência entre operadoras e redução de custos, sendo responsável por transformar o celular em um item essencial para o cotidiano de todos nós.
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Mais em:
- O telefone celular Motorola DynaTAC 8000X de 1983
- O primeiro telefone celular do Espírito Santo de 1993
- A primeira chamada comercial de telefone celular de 1983
- A primeira chamada de celular de 1973
- A patente do sistema de radiotelefone de 1973
- O IBM Simon Personal Communicator de 1994
- O iPhone de 2007
- O sistema operacional Google Android de 2008
- O primeiro telefone Android HTC Dream T-Mobile G1 de 2008
*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.
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