O jogo Metroid de 1986

Em 6 de agosto de 1986, a japonesa Nintendo lançava em casa o jogo Metroid, um dos mais influentes da história dos videogames e que daria origem ao gênero conhecido como “Metroidvania”.
Lançado no Japão pela Nintendo em 6 de agosto de 1986 para o acessório Famicom Disk System, o jogo Metroid surgiria durante um período em que a Nintendo buscava diversificar seu catálogo com experiências mais complexas, indo além dos tradicionais jogos de plataforma.
Seu desenvolvimento foi conduzido pela divisão Nintendo Research & Development 1 (R&D1), sob a direção de Satoru Okada e Yoshio Sakamoto, produção de Gunpei Yokoi, trilha sonora de Hirokazu Tanaka e design visual de Makoto Kano. O resultado seria um jogo que combinava exploração, ação e ficção científica de maneira inédita para a época.

Em Metroid, o jogador controlava a caçadora de recompensas Samus Aran, enviada ao planeta Zebes para impedir que os Piratas Espaciais utilizassem os organismos conhecidos como Metroids como armas biológicas. A aventura se desenrola em um vasto labirinto interligado, repleto de passagens secretas, criaturas hostis e melhorias permanentes para o equipamento da protagonista.
Em vez de dividir a campanha em fases independentes, o jogo incentivava o retorno a áreas anteriormente visitadas após a obtenção de novos itens, criando uma estrutura de exploração contínua que se tornaria uma das principais marcas da série.
Tecnicamente, Metroid se destacaria por explorar os recursos do hardware do NES de maneira extremamente eficiente e engenhosa, com cenários compostos por grandes mapas interconectados, com rolagem lateral, diferentes biomas e dezenas de salas acessíveis sem interrupções por telas de seleção de fases.

Samus podia adquirir aprimoramentos como o Morph Ball, que permitia transformar-se em uma esfera para atravessar passagens estreitas, além de mísseis, bombas, tanques de energia, botas para saltos mais elevados e raios de energia mais poderosos. Esses recursos alteravam permanentemente as habilidades da personagem e expandiam as possibilidades de exploração.
Outro elemento marcante novo jogo seria sua atmosfera. Isso porque, em vez de utilizar temas musicais constantes durante toda a aventura, Hirokazu Tanaka optaria por longos momentos de silêncio ou melodias discretas, criando uma sensação de isolamento e mistério que, somada à ambientação sombria e claustrofóbica inspirada em obras de ficção científica como o filme Alien, reforçava o clima de exploração em um planeta desconhecido e hostil.

Durante boa parte da aventura, Samus Aran aparece completamente protegida por sua armadura, levando muitos jogadores a acreditarem que o protagonista fosse um homem. Apenas ao concluir o jogo era mostrado que a personagem era, na verdade, uma mulher, revelação que se tornaria um dos momentos mais emblemáticos da história dos videogames, representando uma quebra de paradigma em uma época em que protagonistas femininas eram extremamente raras nos jogos de ação.
Embora tenha alcançado vendas até certo ponto modestas em seu lançamento (quando comparadas aos outros títulos de sucesso da empresa), Metroid receberia inúmeros elogios da crítica especializada por sua originalidade e profundidade, cujo conceito de exploração livre, aquisição gradual de habilidades e retorno a áreas anteriormente inacessíveis, vindo a influenciar diretamente inúmeros jogos posteriores.

Em 1991, a série receberia sua primeira sequência para o portátil Nintendo Game Boy, Metroid II: Return of Samus, expandindo a história da caçadora espacial e consolidando a franquia. Três anos depois, em 1994, seria a vez de Super Metroid para o console Super Famicom/Super Nintendo, que refinaria todas as ideias do jogo original, tornando-se também outra aclamada obra da empresa.
Nos anos seguintes a franquia continuaria evoluindo, tendo sido lançados (dentre outros) títulos como Metroid Prime, lançado em 17 de novembro de 2002 para o Nintendo GameCube, que adaptaria com sucesso a fórmula clássica para ambientes tridimensionais em primeira pessoa, e Metroid Dread, lançado em 8 de outubro de 2021 para Nintendo Switch, encerrando um arco narrativo iniciado no jogo original de 1986.
Paralelamente, mesmo após o fim do ciclo de vida útil da plataforma no início dos anos 1990, o jogo original continuaria sendo relançado pela Nintendo em diversos formatos digitais e coletâneas, garantindo sua preservação para novas gerações.

Décadas depois, a influência da série seria tão grande que o estilo de jogo baseado em exploração não linear e evolução gradual das habilidades passaria a ser conhecido como gênero “Metroidvania”, termo criado para descrever jogos inspirados tanto em Metroid quanto em Castlevania: Symphony of the Night.
Um ano depois do lançamento no Japão, em 15 de agosto de 1987, Metroid seria lançado também na América do Norte para o Nintendo Entertainment System (NES), utilizando cartucho em vez do Disk System, já que o periférico nunca foi comercializado fora do Japão.
A adaptação preservaria praticamente toda a experiência original, muito embora tenha eliminado o recurso de gravação em disquete. Para compensar essa limitação, os jogadores passariam a utilizar um sistema de senhas, que os permitiria retomar o progresso posteriormente. Na Europa, o jogo chegaria apenas em 15 de janeiro de 1988, também para o NES.

Samus Aran e o Rei Pelé
Uma curiosidade frequentemente associada ao desenvolvimento de Metroid envolve o nome de sua protagonista, Samus Aran. Em entrevistas concedidas anos após o lançamento do jogo, o designer Yoshio Sakamoto revelou que o sobrenome “Aran” foi inspirado no nome do ex-jogador brasileiro Pelé, cujo nome completo é Edson Arantes do Nascimento. Segundo Sakamoto, a equipe considerou que “Aran” era uma forma abreviada e de sonoridade agradável derivada de “Arantes”. Embora não exista qualquer relação entre a personagem e o futebol, a homenagem tornou-se uma das curiosidades mais conhecidas da franquia, reforçando um inesperado vínculo entre um dos maiores ícones do esporte brasileiro e uma das personagens mais famosas da história dos videogames.
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