O jogo Akumajō Dracula 悪魔城ドラキュラ Castlevania de 1986

Em 26 de setembro de 1986, a produtora nipônica de games Konami lançava no Japão, para o console Nintendo Famicom, o jogo Akumajō Dracula 悪魔城ドラキュラ, mas que ficaria mundialmente conhecido por outro nome: Castlevania.
Desenvolvido e publicado pela empresa japonesa Konami para o acessório Nintendo Famicom Disk System, Akumajō Dracula (悪魔城ドラキュラ), ou Castlevania (como ficaria posteriormente conhecido no resto do mundo) foi um jogo de ação do tipo plataforma inspirado nos clássicos filmes de terror do cinema do século XX, mais especialmente nas produções de monstros da Universal Pictures e do estúdio Hammer Film Productions.

Idealizado e dirigido pelo designer Hitoshi Akamatsu, que também participaria da etapa de programação, Castlevania teria como característica incomum a forte influência do cinema de horror. Akamatsu, que era admirador desse gênero, procuraria dar ao jogo uma apresentação que lembrasse uma produção cinematográfica, tanto na construção visual quanto na música, com a própria equipe utilizando, nos créditos, nomes associados a profissionais do cinema de terror, reforçando essa influência.
A história de Castlevania se passava na antiga Transilvânia, onde, com base numa antiga lenda que dizia que o vampiro Drácula retornava à vida a cada cem anos, forças malignas haviam realizado um ritual para ressuscitá-lo, despertando-o e espalhando suas criaturas pelo local.
A trama colocava o jogador no papel do caçador de vampiros Simon Belmont, membro de uma tradicional família de caçadores de vampiros, que, equipado com o chicote sagrado Vampire Killer, parte sozinho em uma missão para invadir o castelo do representante das trevas, a fim de enfrentar os monstros e finalmente derrotar o temido Conde Drácula.

Com uma ambientação que combinava elementos dos filmes de terror, literatura gótica e mitologia, esta aventura de ação trazia uma mecânica no estilo “plataforma” com rolagem lateral (side-scrolling), nas quais o personagem avançava por seis estágios repletos de armadilhas, criaturas mitológicas e chefes inspirados no folclore do horror. Uma estrutura relativamente simples, mas que estabeleceria várias das características que se tornariam marcas registradas da série.
No desenrolar da partida, que se destacava pelo alto grau de dificuldade e pelo controle preciso nos saltos, Simon avançava por cenários bidimensionais enfrentando morcegos, esqueletos, zumbis e outras criaturas, enquanto utilizava o chicote como sua principal arma. Ao destruir inimigos e atingir determinados pontos dos cenários, era possível obter armas secundárias e itens especiais, como água benta, machados, adagas e relógios que paravam o tempo, cada um deles com características próprias para enfrentar diferentes inimigos.

Paralelamente ao desenvolvimento da versão original para o Nintendo Famicom Disk System, lançada em 26 de setembro de 1986, a Konami produziria também o jogo Vampire Killer, lançado no mês seguinte, em 30 de outubro de 1986, para computadores da lendária família MSX, que embora utilizasse muitos dos mesmos conceitos, trilha sonora, personagens e elementos do projeto original, possuía algumas diferenças importantes de estrutura e jogabilidade.
Apesar das pequenas diferenças, e da ausência da marca “Castlevania” no jogo, a própria Konami a apresenta como uma das versões do conceito original de Castlevania, com os dois jogos representando os caminhos paralelos adotados pela empresa no início da série.
No ano seguinte, em 1º de maio de 1987, a obra receberia sua versão adaptada ao formato tradicional de cartucho na versão estadunidense do console, o Nintendo Entertainment System (NES), já rebatizada como “Castlevania”, que acabaria se tornando a denominação internacional de toda a futura franquia, fazendo dele um estrondoso sucesso mundial.

A chegada ao NES e a mudança do suporte em disco para o cartucho ampliaria consideravelmente o alcance do jogo, ajudando-o a atingir um público muito maior, abrindo também o caminho para versões (ports) para outros computadores da época, como Commodore 64, Commodore Amiga e PCs.
A sequência viria com Castlevania II: Simon’s Quest, lançado no Japão em 28 de agosto de 1987. O segundo jogo modificaria significativamente a fórmula original, introduzindo maior exploração, mapas externos, cidades, personagens e elementos de RPG. Simon precisava agora percorrer diferentes regiões da Transilvânia em busca das partes do corpo de Drácula para tentar desfazer uma maldição, com a série ousando experimentar novas estruturas, em vez de simplesmente repetir o modelo de fases lineares do primeiro jogo.
Em 27 de outubro de 1989, a franquia chegaria ao portátil Nintendo Game Boy com Castlevania: The Adventure, protagonizado por Christopher Belmont. No mesmo período, a série continuaria a evoluir nos consoles domésticos. Castlevania III: Dracula’s Curse, lançado para NES em 22 de dezembro de 1989, voltaria à estrutura de ação em plataformas, mas ampliaria suas possibilidades ao oferecer diferentes personagens e caminhos durante a aventura.
Posteriormente, Super Castlevania IV, lançado em 31 de outubro de 1991 para o Super Nintendo Entertainment System (SNES), levaria a fórmula para uma nova geração de hardware, utilizando gráficos e efeitos sonoros mais sofisticados.

A franquia evoluiria drasticamente nas décadas seguintes, adaptando-se às inovações tecnológicas do mercado de jogos eletrônicos. O grande divisor de águas ocorreria em 20 de março de 1997 com o lançamento de Castlevania: Symphony of the Night para o console Sony PlayStation. Sob a direção de Koji Igarashi, a nova versão abandonaria o formato estritamente linear e fundiria elementos de RPG com movimentação livre por mapas interconectados, no qual o jogador explorava novas áreas, encontrava habilidades, equipamentos e itens e retornava a locais anteriormente inacessíveis
Essa nova estrutura, que combinava exploração, combate, aquisição de habilidades e progressão por um mapa interconectado, consagraria o subgênero que ficaria conhecido no universo dos games como “Metroidvania”, redefinindo o estilo da série ao longo dos anos posteriores nos consoles portáteis.
Posteriormente, com o início do século XXI, a Konami procuraria levar Castlevania para novas direções, com a série continuando a experimentar diferentes personagens, períodos históricos, sistemas de jogo e plataformas, mantendo, contudo, como elementos recorrentes, o conflito entre forças sobrenaturais, o castelo de Drácula e os caçadores associados à família Belmont.
Em Castlevania: Lords of Shadow seria apresentada uma nova interpretação da mitologia da série, tendo o personagem Gabriel Belmont como protagonista. O jogo, lançado para PlayStation 3 e Xbox 360 em 5 outubro de 2010, apresentou uma história que reinterpretava personagens e acontecimentos tradicionais da franquia. A produção daria origem posteriormente a Lords of Shadow – Mirror of Fate, de 5 de março de 2013, e Lords of Shadow 2, de 25 de fevereiro de 2014.

Com a consolidação dos gráficos tridimensionais e as mudanças na estratégia da Konami durante a década de 2010, a série Castlevania passaria por um período de redução no lançamento de grandes títulos para consoles, com Castlevania: Lords of Shadow 2 tendo sido o último grande título da série desenvolvido para consoles tradicionais naquele período, encerrando a trilogia Lords of Shadow.
A franquia, entretanto, não seria descontinuada. Ela se manteria viva na cultura pop por meio de relançamentos em coletâneas digitais para plataformas modernas, como Castlevania Anniversary Collection e Castlevania Advance Collection, além de participações especiais em outros jogos e adaptações para séries de animação.
Em 2026, ano do 40º aniversário da série, a Konami anunciaria Castlevania: Belmont’s Curse, novo jogo de ação e exploração em 2D desenvolvido em parceria com Evil Empire e Motion Twin, com lançamento em 15 de outubro de 2026.
Para conhecer ou relembrar:
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