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Em 1966, o Massachusetts General Hospital criava a MUMPS, uma das linguagens de programação mais bem sucedidas no mundo na informatização de hospitais e sistemas de saúde.

Concebida para resolver questões de armazenamento e recuperação de registros médicos complexos de forma rápida, em uma época em que os recursos de computação eram extremamente caros e limitados, a linguagem de programação MUMPS, cujo nome é o acrônimo para Massachusetts General Hospital Utility Multi-Programming System, nasceria de uma necessidade prática e urgente no setor de saúde norte-americano.

Seu desenvolvimento teve início no começo de 1966 no Massachusetts General Hospital, na cidade norte-americana de Boston, sob a liderança do pesquisador Antonino Neil Pappalardo e sua equipe. A proposta era criar uma linguagem eficiente para manipulação de grandes volumes de dados clínicos acessados por múltiplos usuários simultaneamente, algo que os sistemas e linguagens da época, como COBOL e FORTRAN, não conseguiam atender de forma satisfatória em ambientes hospitalares dinâmicos.

Após um longo trabalho, a primeira versão funcional seria concluída ao longo do ano seguinte, rodando inicialmente em um computador DEC PDP-7 que havia chegado no início do ano anterior no Lab of Computer Science (LCS) do Massachusetts General Hospital. Este ambiente era pioneiro, pois exigia que a linguagem funcionasse tanto como um sistema operacional quanto como um banco de dados, permitindo que profissionais de saúde acessassem informações em tempo real.

linguagem de programação MUMPS 2
O MUMPS teve sua primeira versão concebida em um computador DEC PDP-7

Diferentemente das abordagens tradicionais, o MUMPS utilizava um banco de dados hierárquico nativo integrado diretamente à sintaxe da própria linguagem de programação, com um modelo de armazenamento baseado em variáveis globais persistentes, organizadas em estruturas semelhantes à uma “árvore”. Isso permitia acesso direto e extremamente rápido às informações armazenadas, uma arquitetura particularmente eficiente em sistemas que exigiam resposta imediata, como prontuários médicos e registros de pacientes.

A opção pelo uso de variáveis globais “persistentes” assegurava que os dados permaneciam gravados no sistema mesmo após o programa ser encerrado ou o computador desligado, eliminando a necessidade de um sistema de gerenciamento de banco de dados separado, tornando o processamento de informações muito mais ágil. Além disso, ao contrário de outras linguagens da época que dependiam de arquivos externos, o MUMPS tratava o armazenamento em disco como uma extensão direta da memória, aumentando sua eficiência.

O MUMPS se destacava ainda por sua sintaxe de programação compacta, que privilegiava a economia de comandos e a eficiência de execução. Sua linguagem era ainda interpretada, multiusuário e multitarefa, características avançadas para a época, especialmente considerando os recursos limitados dos computadores disponíveis nas décadas de 1970 e 1980.

Um marco importante na história do MUMPS ocorreria em 1970, quando o sistema seria utilizado durante o Projeto Apollo, mais especificamente em aplicações médicas relacionadas ao monitoramento de astronautas. Essa utilização ajudaria a consolidar sua reputação como uma tecnologia robusta e confiável em ambientes críticos.

Ao longo da década de 1970, a linguagem começaria a se espalhar por diversas instituições médicas e governamentais nos Estados Unidos devido à sua alta eficiência mesmo em um hardware modesto. No entanto, este sucesso geraria um problema de “fragmentação”, com diferentes hospitais criando seus próprios “dialetos” da linguagem, o que dificultava a troca de informações e programas entre eles.

linguagem de programação MUMPS 3
O MUMPS Users Group (MUG), formado em 1972, contou com publicações regulares
Padronização

Esse cenário (indesejado) de “diversidade” levaria a um esforço de unificação que desembocaria no dia 15 de setembro de 1977, quando o American National Standards Institute (ANSI) aprovaria a norma ANSI X11.1-1977, transformando o MUMPS em uma linguagem padronizada, garantindo que o código escrito para uma máquina pudesse ser executado em computadores de diferentes fabricantes. Posteriormente, em 15 de novembro de 1984, uma revisão significativa do padrão foi publicada, a ANSI X11.1-1984, modernizando a linguagem e ampliando seus recursos.

Durante as décadas seguintes, a linguagem continuaria evoluindo para acompanhar o surgimento dos microcomputadores e das redes locais de computadores pessoais, consolidando-se como uma das principais tecnologias para sistemas de informação hospitalar. Ela se tornaria a base tecnológica do sistema VistA, utilizado pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos, que é um dos maiores e mais robustos sistemas de prontuário eletrônico do mundo.

Junto com a aprovação da terceira revisão ANSI X11.1-1990, em 11 de novembro de 1990, com o objetivo de modernizar sua imagem atraindo setores além da área médica, a linguagem seria oficialmente rebatizada como “M”. Essa mudança estratégica visava destacar suas capacidades no setor financeiro e logístico, onde a velocidade para processar grandes volumes de transações era uma vantagem crucial.

Contudo, apesar de seu sucesso em nichos específicos, o MUMPS começaria a perder espaço a partir da década de 1990 com a ascensão de bancos de dados relacionais e linguagens mais modernas, como SQL, C++ e Java. Sua sintaxe pouco intuitiva e a dificuldade de formação de novos profissionais contribuíram para a redução de sua adoção em novos projetos.

Ainda assim, o MUMPS nunca chegaria a ser oficialmente descontinuado. Pelo contrário, ele evoluiria e daria origem a implementações modernas, como o InterSystems Caché e o GT.M, que mantêm compatibilidade com o padrão original. Essas plataformas continuam sendo utilizadas em sistemas de missão crítica, especialmente na área de saúde e finanças.


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Vídeo(s):

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Tutoria de programação MUMPS
Palestra de Neil Pappalardo
Entrevista Neil Pappalardo
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*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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