O livro A Linguagem de Programação C++ de 1985

Em 14 de outubro de 1985, o programador dinamarquês Bjarne Stroustrup publicava a primeira edição do livro A Linguagem de Programação C++, que por muitos anos foi a principal referência para programadores.
A história da linguagem de programação C++ começaria quando o cientista da computação dinamarquês Bjarne Stroustrup, então trabalhando nos Laboratórios Bell (Bell Labs), percebeu (ainda na década de 70) que a linguagem C, criada em 1972, oferecia grande eficiência, mas carecia de mecanismos para lidar com os projetos de software modernos, que vinham se tornando cada vez mais complexos.
Inspirado pela linguagem Simula-67, que, embora lenta, oferecia ótimos recursos para desenvolvimento de software, Stroustrup começaria a desenvolver, em abril de 1979, uma extensão para a linguagem C que unisse o melhor dos dois mundos, juntando a velocidade, eficiência e proximidade do hardware do C com a capacidade de organizar programas em estruturas mais robustas e reutilizáveis da Simula-67.
Stroustrup batizaria esta versão inicial da linguagem como “C with Classes“ (C com Classes), com a primeira descrição tendo sido publicada em um relatório técnico interno em abril de 1980, já trazendo a ideia de “classes”, estruturas fundamentais da Programação Orientada a Objetos (POO).
Mas na medida em que a nova versão ganhava adeptos, o uso do “novo C” (que nessa altura já era visto como algo diferente e não uma simples extensão da linguagem original) começava a confundir os desenvolvedores, que precisavam inventar nomenclaturas distintas para referenciar (e diferenciar) a versão original do C e a nova criada por Stroustrup.
Um novo “nome” se fazia urgente para evitar a confusão que surgia.

Após considerarem a opção C84, que não era muito do agrado de Stroustrup, o batismo definitivo viria de Rick Mascitti, que sugeriria o genial nome “C++”, rapidamente acolhido pelo autor. O símbolo “++” é uma referência ao operador de incremento da linguagem C, simbolizando que a nova linguagem era um “passo adiante” ou um “incremento” em relação à sua antecessora.
Mas seria em 14 de outubro de 1985 que Bjarne Stroustrup publicaria, por meio da editora Addison–Wesley, a obra que consolidaria a nova linguagem de programação, o livro “The C++ Programming Language“ (Linguagem de Programação C++), que serviria por muitos anos como principal referência para programadores e como definição “de fato” da linguagem, assim como o “The C Programming Language” havia sido para o C original.
Junto com ele, chegava também o “Cfront 1.0”, primeiro tradutor/compilador da linguagem de programação C++, marcando a sua estreia no mundo do software comercial, e abrindo caminho para a popularização da linguagem que viria a ocorrer nos anos seguintes.
O fato de o “manual oficial” (“a Bíblia do C++” como seria apelidado) ter sido escrito pelo próprio criador e lançado no mesmo momento em que a linguagem era apresentada ao mercado, sugere que o livro fazia parte da estratégia, demonstrando a confiança da Bell Labs no seu criador.
O lançamento oficial do C++ marcaria o início de uma revolução no desenvolvimento de software. A linguagem prontamente atrairia atenção por permitir que grandes sistemas fossem projetados de forma modular, reduzindo custos de manutenção e ampliando a possibilidade de reaproveitamento de código.

Além das classes, o C++ traria também suporte a sobrecarga de funções, herança e encapsulamento, conceitos fundamentais para o paradigma da Orientação a Objetos. Mas a grande sacada era que, mesmo com todos estes recursos, a nova linguagem mantinha compatibilidade quase que total com o C original, o que ajudaria em adoção por empresas, universidades e desenvolvedores que já estavam acostumados com a linguagem mais antiga.
Na década de 1990, linguagem de programação C++ se consolidaria como uma das mais importantes da indústria, época em que seria publicado o livro The Annotated C++ Reference Manual, que serviria de base para a padronização internacional.
Isso aconteceria finalmente 1998, quando a linguagem seria oficialmente padronizada (C++98) pela ISO (International Organization for Standardization), no documento ISO/IEC 14882:1998. Essa versão consolidava o que vinha sendo usado ao longo dos anos, mas também trazia novidades, como a introdução da biblioteca padrão (STL – Standard Template Library), que oferecia estruturas de dados e algoritmos prontos para uso.
Nos anos seguintes, a linguagem de programação C++ continuaria a evoluir, recebendo novas versões padronizadas: C++03 (2003), C++11 (2011), C++14(2014), C++17(2017), C++20 (2020) e C++23(2024), cada uma ampliando recursos e modernizando a linguagem. Entre as muitas adições, destacam-se o suporte à programação genérica, ponteiros inteligentes, expressões lambda e melhorias de desempenho e segurança.
Essa constante atualização seria responsável por manter a linguagem viva e relevante, mesmo com o surgimento de concorrentes como Java, Python e C#, destino bem diferente de muitas linguagens que tiveram um ciclo de vida mais curto ou acabaram descontinuadas.

Sua combinação única de eficiência de linguagem de “baixo nível” (próximo ao hardware), permitindo controle detalhado da memória e desempenho, com a abstração e organização do “alto nível” (orientação a objetos), garantiria sua perenidade no mercado. Isso faria dela também a escolha preferida em áreas que exigem alto desempenho e acesso direto ao hardware, como nos sistemas operacionais, navegadores de internet, softwares gráficos, motores de jogos e programas científicos.
Por isso, mesmo passadas décadas desde a sua criação, e com o advento de diversas outras novas linguagens, o mercado nem sequer cogita um “fim” ou “descontinuação” desta agora “jovem senhora” linguagem. Pelo contrário.
O site TIOBE, que mede a popularidade de linguagens de programação, mostra as linguagens C e C++ ocupando, respectivamente a 2ª e 3ª posições do ranking das mais usadas, ficando atrás apenas da Python (1º lugar), tendo na 4ª posição a Java e na 5ª a C#, aproximando-se.
Desde sua criação em 1985, o desenvolvimento da linguagem C++ segue ativo, sendo um dos raros exemplos de tecnologia capaz atravessar gerações sem perder relevância. Ainda hoje, permanece como uma das linguagens mais populares do mundo, sendo ensinada em universidades, usada em empresas de ponta e presente em dispositivos que vão desde computadores pessoais até supercomputadores e consoles de videogame.
E você, já programou na linguagem de programação C++? O que fazia seu programa?
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- A linguagem de programação Algol 60 de 1960
- A linguagem de programação Perl de 1987
- A linguagem de programação FORTRAN de 1954
- A ferramenta de desenvolvimento Borland Delphi de 1995
- O Manual de Programadores da linguagem LISP de 1960
- O Microsoft Visual Basic de 1991
- Livro História do C++
- Lista de compiladores C++
*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.
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