O gravador de vídeo Ampex VRX-1000 de 1956

Em 14 de abril de 1956, a fabricante de equipamentos eletrônicos Ampex apresentava o primeiro dispositivo comercialmente bem-sucedido de gravação de vídeo da história, o Ampex VRX-1000.
Em meados da década de 1950, a televisão, que já havia se consolidado como um dos principais meios de comunicação de massa, ainda dependia quase exclusivamente de transmissões ao vivo. Isso porque, naquela altura, a única forma que se tinha de preservar os programas exibidos era por meio do processo conhecido como “Kinescopia” (Kinescope), que consistia em filmar a tela de um monitor de TV com uma câmera de filme (película) ao custo de uma baixa qualidade de imagem e elevado valor para revelação do filme.
Mas este jogo mudaria no dia de hoje, quando a empresa norte-americana Ampex Corporation (fundada em 1944 pelo engenheiro e inventor de origem russa Alexander Matveevich Poniatoff) apresentaria oficialmente, durante a convenção anual da National Association of Radio and Television Broadcasters – NARTB (realizada na cidade norte-americana de Chicago), um novo e revolucionário equipamento, o Ampex VRX-1000.

A novidade, o primeiro gravador de vídeo (VTR) comercialmente viável da história, impressionaria os profissionais da indústria ao demonstrar, pela primeira vez, a possibilidade de gravar e reproduzir imagens de televisão com qualidade adequada para transmissão, marcando um dos momentos mais importantes da história da tecnologia audiovisual.
Sua equipe de desenvolvimento, liderada por engenheiros brilhantes como Charles Ginsburg e o então jovem Ray Dolby (que mais tarde ficaria famoso por seus sistemas de redução de ruído), teve na época como grande desafio tecnológico a enorme largura de banda necessária para gravar sinais de vídeo, que exigiam que a fita passasse pelas cabeças de gravação em velocidades elevadas e tecnologicamente impraticáveis.
Com uma solução “revolucionária”, o Ampex VRX-1000 utilizava fitas magnéticas de 2” (polegadas) de largura e operava com base em um inovador sistema de múltiplas cabeças de gravação montadas em um tambor rotativo, conhecido como Quadruplex. Este sistema gravava o sinal de vídeo em faixas transversais na fita, permitindo ao sistema lidar com a grande largura de banda exigida pelos sinais de vídeo, algo que os sistemas de gravação “lineares” existentes (como o de áudio) não conseguiam alcançar na época.

Pesando cerca de 660 kg e possuindo o tamanho de uma grande escrivaninha, o “monstrengo” utilizava rolos fitas magnéticas de óxido de ferro operando com uma velocidade de rotação das cabeças de 14.400 RPM, a fim de garantir a fidelidade do sinal de TV. Ele contava ainda com um sistema de vácuo e de ar comprimido, a fim de garantir um melhor contato entre a fita e as cabeças de leitura/gravação, bem como dar sustentação aos mancais de ar dos motores, garantindo uma precisão mecânica sem precedentes para os padrões da década de 1950.
Seu sistema eletrônico de controle baseado em válvulas termiônicas dispunha de recursos de sincronismo extremamente precisos para garantir a estabilidade da imagem. O conjunto também incluía unidades auxiliares para controle de edição e monitoramento, sendo capaz de reproduzir sinais compatíveis com os padrões de transmissão da época, o que o tornava imediatamente útil para emissoras de televisão.
A primeira utilização comercial do dispositivo ocorreria em 30 de novembro de 1956, quando a rede de televisão CBS realizaria a primeira transmissão pública com o novo sistema de videotape, transmitindo o programa “Douglas Edwards and the News” com um atraso de três horas para a costa oeste dos Estados Unidos.

Toda esta inovação trazida pelo Ampex VRX-1000 permitiria que as emissoras resolvessem o problema dos fusos horários, eliminando a necessidade de repetir programas ao vivo ou depender da qualidade inferior da versão gravada em película.
O sucesso foi tão imediato que o preço de lançamento de aproximadamente 50mil dólares da época não impediria que a tecnologia passasse a ser adotada por outras grandes redes, como NBC e ABC, que em conjunto fariam com que centenas de unidades fossem encomendadas em pouco tempo.💰
Durante o restante da década de 1950 e ao longo dos anos 1960, o Ampex VRX-1000, posteriormente rebatizado como Ampex Mark IV, tornar-se-ia o padrão da indústria televisiva, permitindo não apenas a gravação de programas, mas também a edição de conteúdo, ainda que de forma ainda limitada e um tanto complexa.
Esta nova possibilidade de gravar, arquivar e retransmitir programas transformaria profundamente a produção televisiva, reduzindo custos, ampliando a flexibilidade de programação e viabilizando a distribuição de conteúdo em diferentes regiões, até mesmo para outros países.

Com o passar dos anos, o Ampex VR-1000 evoluiria para versões com suporte a sistemas de TV em cores e com maior fidelidade de áudio, mantendo, contudo, o formato de 2 polegadas Quadruplex, que permaneceria como o padrão absoluto da indústria televisiva por duas décadas.
O fim da linha para essa tecnologia começaria a ser desenhado no final dos anos 70, com a chegada de formatos mais compactos e eficientes, como o Type C videotape (de 1 polegada) e, posteriormente, os sistemas de fitas em cassete para uso profissional como o Betacam da Sony, que fariam com que os sistemas Ampex VRX-1000 fossem gradualmente descontinuados.
E você, qual o primeiro sistema de gravação de vídeo do qual se recorda? Era ainda analógico ou já digital?
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Vídeo(s):
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Mais em:
- A primeira demonstração pública da TV em 1925
- A primeira transmissão de TV transatlântica de 1928
- O serviço Wirephoto de 1935
- A TV a cabo de 1948
- A TV em cores de 1950
- O Instant Replay de 1963
- O padrão MPEG de vídeo de 1992
- O WebTV de 1996
- O padrão H.265 HEVC de vídeo de 2013
*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.
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