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Em 25 de setembro de 1956, um consórcio internacional formado pelo Reino Unido, EUA e Canadá, inaugurava o TAT-1, primeiro cabo telefônico a cruzar o Oceano Atlântico.

Desenvolvido por meio de uma grandiosa cooperação internacional entre o General Post Office (GPO) britânico, a American Telephone and Telegraph Company (AT&T) e a Canadian Overseas Telecommunications Corporation (COTC), o cabo TAT-1 (Transatlantic No. 1) foi o primeiro sistema de cabo submarino telefônico a atravessar o Oceano Atlântico, sendo o responsável por tornar possível comunicações telefônicas diretas e de alta qualidade entre a Europa e a América do Norte.

Antes dele, as ligações telefônicas transatlânticas dependiam eminentemente de comunicações via sistemas de rádio, cujo serviço,  inaugurado em 1927 entre a Europa e a América do Norte, sofria com a capacidade limitada e com ligações podiam apresentar problemas de qualidade e disponibilidade.

Após décadas de tentativas em utilizar o fundo do oceano para transportar conversas telefônicas, a criação do TAT-1 (para uso em sistemas de telefonia de grande escala) somente se tornaria tecnicamente viável com a combinação de diversos avanços tecnológicos, como o uso de cabos coaxiais, isolamento de polietileno e criação de repetidores eletrônicos suficientemente confiáveis para permanecerem durante décadas no fundo do oceano.

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Os trajetos utilizados pelos muitos sistemas instalados ao longo dos anos

Anunciado publicamente em 1º de dezembro de 1953, o TAT-1 ligaria Gallanach Bay, próximo a Oban, na Escócia, a Clarenville, na ilha de Terra Nova, Canadá, com um sistema formado por dois cabos submarinos, um destinado a cada direção da comunicação (transmissão e recepção).

A ligação entre Clarenville e o restante da rede norte-americana prosseguia por outro cabo submarino através do estreito de Cabot até Sydney Mines, na Nova Escócia, de onde o tráfego seguia por enlaces de rádio em micro-ondas até a fronteira dos Estados Unidos, onde só então entrava na rede telefônica norte-americana.

A fim de enfrentar as profundezas do oceano e garantir a transmissão contínua de sinal, a instalação exigiria uma operação de engenharia de grande complexidade para a época. Cada cabo possuía trechos especialmente protegidos nas regiões costeiras e uma longa seção destinada às águas profundas, com aproximadamente 3600km de extensão total.

Seu lançamento seria realizado principalmente pelo navio britânico HMTS Monarch, responsável por transportar e liberar gradualmente enormes quantidades de cabo enquanto navegava sobre o oceano. Estes trabalhos foram realizados durante os verões de 1955 e 1956, com o sistema sendo concluído em agosto, aproximadamente três meses antes do cronograma inicialmente previsto.

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O lançamento do cabo pelo HMTS Monarch

Mas um dos maiores desafios do sistema seria evitar que o sinal telefônico se enfraquecesse ao percorrer os milhares de quilômetros da extensão do cabo. Caberia aos engenheiros da Bell Telephone Laboratories solucionar o caso, desenvolvendo repetidores eletrônicos especialmente projetados para funcionar permanentemente no fundo do oceano.

Eles seriam instalados no segmento de águas profundas de cada cabo, totalizando 51 repetidores (aproximadamente a cada 70km), que utilizavam válvulas eletrônicas extremamente confiáveis em sua construção. Mas por que não transistores alguns perguntariam? A questão é que transistores eram ainda uma invenção “recente” e sua confiabilidade no longo prazo não era conhecida.

Inicialmente, o TAT-1 ofereceria 36 canais de 4 kHz de largura de banda, dos quais, 35 podiam transportar simultaneamente conversas telefônicas, com o último deles podendo ser utilizado para transportar até 22 circuitos de telegrafia. Posteriormente, técnicas de transmissão permitiriam aumentar esta capacidade para 48 canais.

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O sistemas de amplificadores submersos

Mas à medida que o tráfego de chamadas aumentava exponencialmente, o sistema passaria por novos aprimoramentos técnicos. Em junho de 1960, a introdução do sistema TASI (Time Assignment Speech Interpolation) permitiria utilizar de maneira mais eficiente os canais de voz, elevando a capacidade efetiva do sistema para até 72 circuitos de conversação.

Inaugurado oficialmente às 16h de 25 de setembro de 1956, em uma cerimônia realizada no Lancaster House, em Londres, o serviço seria aberto pelo Postmaster General britânico, que participaria de uma conversa com o presidente da AT&T em Nova York e com o ministro canadense dos Transportes, marcando o início da primeira ligação telefônica transatlântica realizada por um sistema submarino dedicado à transmissão de voz.

A nova conexão rapidamente demonstraria sua importância realizando, nas primeiras 24 horas de funcionamento público, 588 chamadas entre Londres e os Estados Unidos e outras 119 entre Londres e o Canadá. O custo de uma ligação de três minutos entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha era de 12 dólares (US$ 150 em 2026) durante o horário comercial e de 9 dólares à noite e nos fins de semana.

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Frederick Kappel (presidente da AT&T) e Oliver Buckley (Bell Labs) se preparam para falar com a Inglaterra na inauguração

Além das conversas telefônicas e transmissões telegráficas, o sistema também podia transportar outros tipos de comunicação. Na própria noite da inauguração, por exemplo, um concerto realizado no Carnegie Hall, em Nova York, foi transmitido para Londres por meio do TAT-1 e retransmitido pela emissora estatal britânica BBC.

O cabo também contribuiria para acelerar a substituição das antigas comunicações telegráficas transatlânticas, que dependiam de sistemas de menor capacidade e que seriam gradualmente retirados de operação nas décadas seguintes.

O sucesso do TAT-1 estimularia a construção de uma nova geração de cabos submarinos telefônicos, com outros sistemas transatlânticos sendo instalados ainda no final da década de 1950, ampliando progressivamente a capacidade de comunicação entre continentes.

Ele também demonstraria que componentes eletrônicos extremamente delicados podiam funcionar de maneira confiável em um ambiente tão hostil quanto o fundo do oceano, estabelecendo importantes bases tecnológicas para a expansão mundial das telecomunicações por cabos submarinos.

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Placa do IEEE em reconhecimento ao feito histórico.

O TAT-1 permaneceria em operação por mais de duas décadas, sendo retirado de serviço em 19 de novembro 1978 (a data originalmente programada teria sido dia 27), quando sistemas de maior capacidade já estavam disponíveis para as comunicações através do Atlântico. O Science Museum registra que o cabo permaneceu em uso sem falhas até sua retirada, motivada principalmente pela instalação de cabos transatlânticos de capacidade muito superior e a consolidação das transmissões via satélite artificial.

Seu funcionamento transformaria a comunicação telefônica entre continentes, substituindo a dependência predominante do rádio por uma conexão física de alta capacidade e confiabilidade. Décadas depois, os cabos submarinos de fibra óptica assumiriam essa função em uma escala incomparavelmente maior, transportando não apenas voz, mas também dados, imagens e praticamente todo tipo de informação digital entre os continentes.


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Vídeo(s):

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Programa de TV de 1957 sobre o TAT-1
Cabo Telefônico TAT-1: Unindo os lados do Atlântico
A história dos cabos ao longo do Atlântico
Mais em:



*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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