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Em outubro de 1981, a fabricante brasileira de computadores Microdigital lançava, durante a Feira Internacional de Informática, o microcomputador Microdigital TK-82C, clone brasileiro do Sinclair ZX81.

Criado pela Microdigital Eletrônica Ltda, uma empresa brasileira de tecnologia sediada em São Paulo e fundada no ano de 1981 pelos irmãos George e Tomas Kovari (ahhh o “TK” vem daí! 😊), o microcomputador Microdigital TK-82C, viria a ser o primeiro modelo de sucesso a ser comercializado pela empresa.

Em um período em que o mercado brasileiro de informática começava a se desenvolver, suportado por restrições à importação que favoreciam a fabricação nacional de computadores, o Microdigital TK-82C nasceria da aposta da empresa na produção de equipamentos compactos e com custo relativamente acessível, “fortemente inspirados” em modelos estrangeiros (os famosos “clones”). 😊

Lançado em outubro de 1981, durante a I Feira Internacional de Informática, realizada no Anhembi São Paulo, o Microdigital TK-82C, “clone” do lendário computador inglês Sinclair Research ZX-81, contava com um microprocessador Zilog Z80A rodando a uma velocidade de 3,25 MHz, memória RAM de 2 KB (expansível externamente até 16 KB), memória ROM de 8 KB que incluía o interpretador BASIC, teclado integrado tipo membrana com 40 teclas, bem como conexões externas de expansão, joystick, gravador k7 (EAR/MIC) e saída de vídeo RF para televisão.

microcomputador Microdigital TK-82C 2
Vistas externas

Capaz de exibir 32 colunas por 24 linhas de texto ou gráficos monocromáticos com 64 x 44 pontos, seu sistema de processamento de vídeo dependia da própria CPU para a geração de suas imagens, o que poderia resultar em “piscadas” da tela durante a execução de cálculos pesados. A fim de resolver este problema, o Microdigital TK-82C também incorporava um circuito associado ao modo de funcionamento conhecido como SLOW, que permitiria manter a imagem na televisão durante a execução dos programas, ao custo da redução de velocidade de processamento.

Em sua memória ROM residia seu “sistema de software” nativo, que armazenava as instruções básicas de funcionamento do sistema e o interpretador de linguagem  BASIC, que permitia ao usuário interagir com o computador e escrever programas, sem a obrigatoriedade de conhecer diretamente a “linguagem de máquina” do processador.

Acomodado em um frágil gabinete de plástico preto que abrigava toda a sua eletrônica, seu sistema de armazenamento de dados baseava-se em uma interface de leitura e gravação para gravadores de fita K7 (comum aos computadores da época), capaz de operar a uma taxa de transferência de dados de 300 bps.

microcomputador Microdigital TK-82C 3
Vista interna: variantes

Outra das particularidades do Microdigital TK-82C estava na maneira como sua eletrônica reproduzia os recursos do modelo original Sinclair ZX81. Isto porque, como a Microdigital não dispunha inicialmente do circuito integrado personalizado (Uncommitted Logic Array – ULA) empregado no projeto britânico, a empresa precisou arrumar uma forma de implementar suas funções por meio de outros componentes eletrônicos discretos (engenharia reversa), demonstrando a mundialmente conhecida engenhosidade dos projetistas brasileiros. 😊

A recepção do Microdigital TK-82C pelo público brasileiro seria bastante positiva, tornando-o uma ferramenta popular de aprendizado de programação BASIC para estudantes, hobbistas e entusiastas. Suas dimensões reduzidas e o custo acessível permitiriam que o modelo viesse a se tornar o primeiro contato de muitos com o “mundo da informática”, impulsionando a formação de toda uma geração de novos programadores no país.

Claro que, além das aplicações educativas e matemáticas, a compatibilidade do modelo com o ecossistema do Sinclair ZX80/81 permitiria aos usuários se aproveitar dos inúmeros programas já desenvolvidos para a plataforma, incluindo os joguinhos, ampliando o interesse pelo micrinho. 😉

microcomputador Microdigital TK-82C 4
Anúncios da época

Mas embora tenha alcançado certa popularidade, a dificuldade de uso e a fragilidade do teclado de membrana e da carcaça, associada à limitação da capacidade de memória, exigiriam manutenções e expansões por parte dos usuários, gerando insatisfações. Isso culminaria com o lançamento, em 1983, dos modelos sucessores Microdigital TK-83 e Microdigital TK-85, que incorporariam (entre outras) melhorias na capacidade de memória e no design externo.

No mesmo evento, a Microdigital apresentaria também o modelo Microdigital TK-80, uma versão compatível com o modelo britânico Sinclair ZX-80, que não chegaria a ser efetivamente comercializada, só se tendo conhecimento da existência de protótipos.


E você, qual o modelo mais icônico da Microdigital na sua opinião?

microcomputador Microdigital TK-82C 5
Um Microdigital TK-83 virtual no MCCEmu

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Vídeo(s):

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O TK82C em operação
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