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Em março de 1991, a empresa de tecnologia norte-americana Advanced Micro Devices anunciava seu novo microprocessador de 32bits, o AMD Am386, que elevaria a empresa à posição de segundo maior fabricante de microprocessadores.

Marcando a entrada definitiva da fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD) no mercado de processadores compatíveis com a arquitetura x86 de 32 bits, o microprocessador AMD Am386 talvez represente um dos momentos mais importantes da história da empresa.

Ele foi o responsável por quebrar o monopólio da Intel no segmento de processadores 32 bits, consolidando a Advanced Micro Devices (AMD) como uma competidora de peso no mercado de microprocessadores.

Com uma jornada que começaria muito antes de sua chegada às prateleiras, o desenvolvimento do AMD Am386 está diretamente ligado às disputas legais e comerciais travadas com a Intel ao longo da década de 1980, período em que a AMD atuava como “segunda fonte” (second source) de processadores, em decorrência de um acordo cruzado de licenciamento e troca de tecnologia firmado com a Intel ainda na década de 70 e ampliado posteriormente por exigência da IBM quando do lançamento do IBM PC.

Baseando-se neste acordo, a AMD produziria assim, durante vários anos, “clones” dos processadores Intel, fazendo-a alcançar uma tímida porção do mercado. No entanto, com o lançamento do Intel 80386 em 1985, a Intel passaria a tentar impedir a AMD de lançar sua versão “equivalente” do processador, barrando o acesso da empresa aos projetos técnicos e negando que ela usasse a marca “386”, sob a alegação de que o contrato do antigo acordo não cobria esta tecnologia específica.

microprocessador AMD Am386 2
Vista ao microscópio

Mesmo tendo criado sua própria versão do 386 por Engenharia Reversa ainda em 1989 (a contragosto da Intel), a proibição de uso da marca impedia a AMD de lançar seu modelo. É claro que a AMD não deixaria seu “like” na decisão da Intel e partiria pra briga… na justiça.

Essa batalha legal nos tribunais norte-americanos duraria anos, mantendo o projeto do AMD Am386 “na gaveta” enquanto a Intel assumia o controle do mercado sozinha. A decisão favorável à AMD só viria em 2 de março de 1991 (anos depois do Intel 80486 já ter sido lançado), permitindo que a empresa enfim pudesse comercializar sua versão do chip “386”.

Com o caminho finalmente aberto, alguns dias depois no mesmo mês de março de 1991, a empresa anunciaria oficialmente o AMD Am386, oferecendo ao mercado uma alternativa mais acessível e competitiva em relação aos chips da Intel, que até então dominavam completamente o segmento de processadores x86 de 32bits.

A questão é que, mesmo chegando ao mercado tecnologicamente “atrasado”, o público perceberia que o AMD Am386 não era simplesmente uma “cópia”, sendo, em muitos aspectos, superior ao original da Intel, especialmente em termos de eficiência energética e velocidade.

Construído a partir de 275 mil transistores e utilizando um processo de fabricação de 0,8 mícron, o processador AMD Am386 teve modelos com velocidades que variaram de 20 MHz até 40 MHz, divididos em duas variantes principais: a Am386DX, com barramento de dados externo de 32 bits, e a Am386SX, uma versão mais econômica com barramento externo de 16 bits, destinada a computadores de menor custo.

microprocessador AMD Am386 3
A versão de “custo reduzido” AMD Am386SX

Essa estratégia de variantes distintas, que também havia sido adotada pela Intel em sua versão original, permitiria à AMD atingir diferentes segmentos do mercado, desde computadores pessoais mais simples (incluindo modelos portáteis) até máquinas corporativas mais robustas.

Um dos grandes diferenciais do AMD Am386 era sua capacidade de operar em frequências de relógio significativamente mais altas que os modelos da Intel, com a AMD tendo sido capaz de lançar versões que operavam a 40 MHz, enquanto a Intel havia estacionado o seu 386 nos 33 MHz.

Essa velocidade superior, combinada com o fato de o chip consumir menos energia (melhor eficiência energética), tornaria o AMD Am386 a escolha “custo-benefício” favorita para muitos dos fabricantes e usuários de computadores “PC compatíveis”.

Mas dentre todas as versões, o AMD Am386DX-40 seria aquela que se tornaria uma “lenda” entre os usuários da época, oferecendo um desempenho que muitas vezes rivalizava com os primeiros processadores Intel 80486, mas por uma fração do seu preço. Ele permitiria que muitos usuários pudessem vir a executar o novo sistema operacional Microsoft Windows 3.1 (de 1992) com fluidez, em máquinas economicamente muito mais acessíveis.

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O “lendário” AMD Am386DX-40 em suas diferentes apresentações

A produção e as vendas do AMD Am386, contudo, continuariam sendo expressivas mesmo após o lançamento de modelos mais avançados como o AMD Am486 (1993), o Intel Pentium (1993) e o AMD Am5x86 (1995). Seu baixo consumo de energia, alta confiabilidade e ampla compatibilidade, lhe fariam encontrar uma sobrevida longa em sistemas embarcados e dispositivos industriais, só vindo a ser efetivamente descontinuado pela empresa muitos anos depois, permanecendo no catálogo de produtos especializados até meados da década de 2000.

Todo este sucesso do AMD Am386 consolidaria a AMD como uma concorrente direta da Intel no mercado de microprocessadores (“tomando” a segunda colocação da Motorola), ampliando sua fatia de mercado e abrindo caminho para futuras gerações de chips próprios, como o AMD K5 e AMD K6.


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Testando um AMD Am386DX-40
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*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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