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Em março de 1986, a empresa Berkeley Softworks lançava o sistema operacional gráfico Graphic Environment Operating System GEOS, destinado a computadores de 8 bits.

Desenvolvido pela empresa norte-americana Berkeley Softworks, fundada por Brian Dougherty em 1983 como “The Softworks”, o GEOS (Graphic Environment Operating System) foi um sistema operacional concebido com o objetivo de levar uma interface de usuário gráfica (GUI) moderna, baseada em janelas e ícones, para os microcomputadores domésticos de 8 bits, democratizando o uso deste tipo de interface, antes exclusividade de computadores de custo muito mais elevado.

Ele representaria uma tentativa ousada e ambiciosa de transformar computadores populares na época, como o Commodore 64 (C64) e posteriormente o Apple II, em máquinas capazes de executar aplicações gráficas semelhantes às que existiam em computadores muito mais caros, como o Apple Macintosh, o Commodore Amiga, o Atari ST e mesmo os PCs.

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Algumas das mídias de distribuição do sistema

Seu desenvolvimento começaria no ano anterior, quando a equipe da Berkeley Softworks decidiria adaptar o fracassado projeto Sky Tray (uma interface de usuário para uso em computadores instalados em assentos de aviões), criando um ambiente gráfico que pudesse prolongar a vida útil do onipresente C64, um dos computadores pessoais mais vendidos da história e que, mesmo passados quatro anos desde seu lançamento, ainda mantinha vendas expressivas.

Isso porque, apesar do seu grande sucesso comercial, o hardware do C64 já começava a parecer “limitado” diante da chegada dos novos modelos de computadores de 16 bits e 32bits. A proposta então seria “espremer” ao máximo o processador MOS Technology 6510 do C64 (compatível com a família MOS 6502), lançando mão de mecanismos de programação altamente otimizados utilizando linguagem Assembly, extraindo dele toda a capacidade de processamento possível.

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Anúncio da época

Lançado oficialmente em março de 1986 para o Commodore 64, o GEOS foi distribuído sob a forma de disquetes, rapidamente chamando a atenção da imprensa especializada por oferecer uma interface gráfica completa em um computador de apenas 64 KB de memória RAM. Um milagre, bem digamos.😊

O sistema apresentava elementos modernos para a época, como janelas, ícones, menus suspensos e caixas de diálogo, permitindo ao usuário controlar o computador com mouse, joystick ou ainda com o velho e bom teclado. Além disso, oferecia recursos como arrastar e soltar arquivos e de copiar e colar dados entre aplicações.

O ambiente do GEOS incluía também diversos aplicativos integrados que transformavam o microcomputador em uma ferramenta de produtividade, como o geoPaint, um editor gráfico de imagens bitmap com diversas ferramentas de manipulação, e o geoWrite, um processador de textos com suporte a fontes proporcionais e formatação avançada, com visualização do resultado final, seguindo o conceito WYSIWYG (“o que você vê é o que você obtém”), onde o usuário via na tela exatamente o que seria impresso.

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O sistema contava com aplicativos integrados como o geoPaint e o geoWrite

Mesmo rodando em hardware limitado, o GEOS lançava mão de diversas técnicas para melhorar o desempenho, como por exemplo era o sistema TurboDisk, que acelerava o acesso aos disquetes e tornava o uso do sistema muito mais ágil que o ambiente padrão do Commodore 64. Além disso, o sistema possuía um conjunto de drivers que possibilitava trabalhar com impressoras, dispositivos apontadores e expansões de memória, ampliando as possibilidades do computador.

Outras versões

O sucesso inicial levaria à criação de versões para outros computadores compatíveis com a família de processadores compatíveis com o MOS 6502.

A primeira delas faria sua aparição pública na feira CeBIT em Hannover/Alemanha, ocorrida entre os dias 4 e 6 de março de 1987, uma versão adaptada para o computador Commodore 128 que se aproveitaria dos recursos adicionais dessa máquina, com a memória RAM ampliada e o modo de vídeo de 80 colunas, para entregar mais performance e uma área de trabalho ampliada.

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A festejada versão para o Apple II

No ano seguinte, por volta de março de 1988, seria a vez da versão para a linha Apple II desembarcar, ampliando significativamente o público potencial do sistema.

Neste ambiente o GEOS conseguia tirar maior proveito de modos gráficos mais versáteis (especialmente no Apple IIgs), do melhor suporte a memória expandida e da integração mais estável com impressoras e dispositivos de entrada, tornando-o mais efetivo em aplicações de produtividade.

Durante a segunda metade da década de 1980, o GEOS alcançaria uma grande popularidade entre usuários de computadores domésticos, chegando a figurar entre os ambientes gráficos mais utilizados do mundo, atrás apenas do Mac OS, graças ao enorme número de computadores Commodore 64 em circulação. Isso ocorreria em função do sistema ser frequentemente vendido em conjunto com softwares adicionais, além de ter sido incluído de série em todos os computadores Commodore 64C.

A evolução técnica do sistema culminaria com o lançamento da versão GEOS 2.0, apresentado em junho de 1988 (durante a edição da feira CES), que traria melhorias de desempenho, maior suporte a expansões de memória e novos aplicativos, consolidando o sistema como um ambiente completo de trabalho gráfico para computadores de 8 bits.

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A versão GEOS 2.0, de 1988

Contudo, com a chegada da década de 1990, a Berkeley Softworks passaria por mudanças estratégicas, adotando o novo nome GeoWorks Corporation.

Num ousado movimento, e de olho nos 16 milhões de PCs antigos já existentes e que não eram capazes de rodar o Microsoft Windows, a empresa decidiria então levar o conceito do GEOS para computadores compatíveis com o padrão IBM PC, lançando em novembro de 1990 o PC/GEOS, um ambiente gráfico que rodava sobre o sistema MS-DOS.

O PC/GEOS era tecnicamente superior ao Windows em muitos aspectos, exigindo apenas um processador Intel 8088 e 640 KB de memória RAM para rodar com fluidez. Enquanto o Microsoft Windows 3.0 frequentemente travava ou exigia máquinas potentes, o GeoWorks PC/GEOS entregava uma interface elegante com fontes escaláveis e multitarefa, mesmo em computadores mais “antigos”, como o IBM PC/XT e o IBM PC/AT (e seus clones).

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O GeoWorks PC/GEOS, para os computadores IBM PC compatíveis

Mas apesar da superioridade técnica, a falta de apoio de desenvolvedores de softwares de terceiros e o peso comercial da Microsoft começaram a “sufocar” o sistema. Sobre isso, um dos ex-dirigentes da GeoWorks teria dito: “…o GEOS desapareceu porque a Microsoft ameaçou retirar o fornecimento de MS-DOS para fabricantes de hardware que incluíssem o Geoworks em suas máquinas“.

Tentando sobreviver, em 1992, o GEOS passaria a mirar o mercado de dispositivos móveis e PDAs (Personal Digital Assistants), agora na versão denominada PEN/GEOS, sendo escolhido para equipar aparelhos pioneiros como o Casio Zoomer e o HP OmniGo 100, lançados entre 1993 e 1995.

A tecnologia da GeoWorks também seria fundamental para a criação do Nokia 9000 Communicator, lançado em 1996, híbrido de celular e computador de bolso (ou seja, um smartphone 😊) que também se utilizava o sistema operacional PEN/GEOS. Essa seria uma das últimas grandes vitórias comerciais do sistema, provando que sua arquitetura eficiente e otimizada havia sido perfeitamente moldada para dispositivos de baixo consumo de energia e baixa capacidade de processamento.

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Um dos grandes sucessos da versão PEN/GEOS
O Declínio

Apesar do sucesso inicial, o GEOS para computadores de 8 bits perderia gradualmente espaço com a chegada dos anos 1990. Isso porque, além do declínio da plataforma Commodore (com a eventual falência da empresa), o avanço dos computadores pessoais mais poderosos, especialmente os PCs compatíveis e sistemas como Windows e Mac OS, tornaria a competição com os agora “limitados” micrinhos domésticos de 8 bits desproporcional, diminuindo rapidamente o parque de usuários do GEOS.

Em função disso, a GeoWorks acabaria encerrando o suporte ao sistema para computadores de mesa no final dos anos 90, com os direitos do software sendo vendidos para a empresa NewDeal Inc em 1998, que produziria algumas novas versões, tentando encontrar um nicho entre os computadores incapazes de rodar o Windows 95. Posteriormente, em 2001, a Breadbox Computer Company adquiriria os direitos do sistema, tentando mantê-lo vivo com a versão Breadbox Ensemble, que conseguiria uma penetração modesta no mercado educacional.

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As últimas edições do GEOS para computadores de mesa

Apesar do desenvolvimento do sistema ter sido abandonado pouco tempo depois, os programadores Maciej Witkowiak e Michael Steil disponibilizariam uma versão do código fonte do sistema, possibilitando às novas gerações continuar realizando experimentações com o lendário ambiente.

Para conhecer ou relembrar:

Aqui nestes links, você poderá encontrar versões para download do GeoWorks, New Deal Office e BreadBox Ensemble.


E você, usou alguma das versões do sistema GEOS? Qual delas?

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Vídeo(s):

*legendas disponíveis nos controles do Youtube, na opção “⚙ >> Legendas/CC >> Traduzir automaticamente”.

O GEOS no programa Computer Chronicles de 1988
Usando o GeoWorks Ensemble
Versão “moderna” do GEOS rodando em um Commodore 64C
Mais em:



*As imagens utilizadas nesta postagem são meramente ilustrativas e foram obtidas da internet.


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